quinta-feira, 18 de maio de 2017

LIBERDADE COMPARTILHADA

O COMBINADO NUNCA SAI CARO


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Onde mora a liberdade nos relacionamentos? Até onde vai minha liberdade quando encosto tão pertinho na liberdade de outra pessoa? Falo de amigo, pai, mãe, aquela pessoa que divide a casa, irmão, funcionários, avós. Não só as relações amorosas estão sob o crivo da liberdade, é claro, mas são elas que trazem consigo contratos mais amarrados, mais impostos.
E por que são justamente as relações amorosas, estas que deveriam estar inundadas de espaço, as que mais sofrem com essa impiedosa escravidão? 
A fixação é o cemitério do amor, já sabemos. No entanto, a tendência para a liberdade necessita, como sempre, de determinar o limite desse conceito. 
Primeiramente aos livros: O conceito de liberdade atravessa toda a história da filosofia, da Grécia antiga aos dias de hoje. Lá, ser livre significava ser mestre de si mesmo, ter domínio sobre suas ações.
Para Rousseau, a liberdade é um atributo humano por excelência. O homem seria livre na medida em que a natureza dita os impulsos e que nos reconhecemos livres para concordar ou resistir. Já em Sartre a liberdade chega ao campo transcendental como possibilidade única da existência: estamos condenados a ser livres.
Ok, tudo muito bom, tudo muito lindo. Mas e quando falamos de liberdade dentro de um contexto amoroso?
Você não é livre quando vive um relacionamento em que a sua liberdade não abraça (e respeita) a liberdade do outro. Ao aniquilar a possibilidade de liberdade do outro você é só um egoísta querendo tirar vantagem.
Não, você não está sendo uma pessoa descolada se o seu relacionamento aberto ainda é unilateral. Não importa o tipo de relação nem quantas pessoas estão envolvidas, é preciso que a liberdade venha sustentar os acordos estabelecidos espontaneamente entre as partes afetivas.
Não pretendo impor uma opinião sobre esse assunto mas posso dizer com toda a certeza: a liberdade não mora fixamente em lugar algum. Ela vive, flutua, flui. E, quando passa a ser compartilhada com outra pessoa requer conversas e combinações pacíficas.
Em casos de duvida é só lembrar: o combinado nunca sai caro.


quarta-feira, 17 de maio de 2017

AMANDO O SABER

SEM AMOR AO SABER NÃO EVOLUÍMOS INTELECTUALMENTE E EMOCIONALMENTE


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Quando ouvimos a palavra filosofia, imaginamos algo muito complicado e teórico, pouco aplicável na vida cotidiana. Mas se a gente buscar o significado desta palavra, descobriremos que ela quer dizer amor ao saber. Se pararmos para pensar, é o amor ao saber que move a nossa vida, que nos impulsiona, que nos torna curiosos e capazes de aprender e descobrir coisas novas. Sem amor ao saber, não aprendemos, não conhecemos, não entendemos o olhar do outro, não conseguimos respeitar as culturas alheias, não conseguimos argumentar com assertividade. Enfim, paramos no tempo e no espaço e começamos a reproduzir de forma incessante e pouco crítica condutas equivocadas e opiniões pasteurizadas.
Muita gente acha normal valorar as pessoas pelas roupas que usa e sapatos que calça. Muita gente acha normal agredir quem pensa diferente. Muita gente acha normal que existam pessoas vivendo em um estado miserável. Muita gente acha normal o individualismo da nossa época. 
Sem o amor ao saber não evoluímos intelectualmente e emocionalmente. Sem o amor ao saber não temos senso crítico, não temos autocrítica. Sem o amor ao saber não nos reinventamos, não reciclamos nossas ideias e valores, nos fechamos dentro de nós mesmos, acreditando em paradigmas da infância. Sem amor ao saber não entendemos a complexidade da vida e a importância de fazermos a diferença no mundo. Sem o amor ao saber não compreendemos o papel das artes, a essência da educação, o poder do amor. Sem o amor ao saber reduzimos o conceito de amizade e nos acomodamos em ser e fazer tudo aquilo que os outros fazem sem questionar.
Ninguém precisa estudar filosofia de maneira sistemática e formal, embora seja muito interessante entrar em contato com as ideias de alguns filósofos que estruturaram o pensamento contemporâneo. Por outro lado, basta refletirmos sobre a vida, nos questionarmos constantemente, nos indagarmos sobre os porquês e como podemos atuar socialmente de uma maneira mais significativa para adotarmos um pensamento filosófico. Quando alguém se pergunta “O que estou fazendo no mundo? Qual é a minha missão nesta vida? Existe realmente alguma missão?” já está filosofando, já está amando o saber.
O mundo precisa de mais Filosofia. Um mundo mais filosófico seria mais tolerante, mais respeitoso, com mais solidariedade e inteligência afetiva.


* GRANDES NOMES DA FILOSOFIA
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*Michel Foucault relacionou os presídios e manicômios com os quartéis e as escolas. Defendeu a ideia de que o poder se desenvolve em rede, portanto, quem o executa também é vítima do mesmo


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*O alemão Nietzsche influenciou fortemente os filósofos brasileiros contemporâneos. Para ele, a realidade era altamente subjetiva. Foi autor da frase " Não existem fatos e sim interpretações".

terça-feira, 16 de maio de 2017

PESSOAS SÃO LIÇÕES

PODEMOS APRENDER TANTO COM QUEM SUBTRAI, QUANTO COM QUEM SOMA 


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Tanta gente entra e sai de nossas vidas ao longo do tempo, tão variados encontros temos e ainda teremos pela frente. E nós vamos ficando cada vez mais cheios de lembranças, de experiências. 
Algumas pessoas são verdadeiros testes em nossas vidas. Testam a nossa paciência, a nossa capacidade de nos manter em harmonia, de nos manter equilibrados. Testam o nosso humor, a nossa disposição para ouvir, para nos compadecer. 
Certos indivíduos, por sua vez, por mais que seja difícil compreender de início, chegam a nossas vidas para nos transmitir lições que levaremos para sempre conosco. Algumas vezes lições tristes, outras vezes lições de amor. Quando nos decepcionamos com as pessoas, por terem desvirtuado nossas palavras, menosprezado nossos atos, aprendemos a nos resguardar. Quando somos surpreendidos pela generosidade e pela bondade de gente verdadeira, aprendemos que o amor cura, salva e ilumina.
E são exatamente estes seres iluminados, que nos trazem lições de amor, os presentes com que a vida costuma nos presentear, para que a gente prossiga acreditando na força do bem, do que é bom, do que tem verdade. Nada menos do que a gratidão que nutrimos por estas pessoas para alimentar o melhor que carregamos aqui dentro.
Como se vê, em vez de lamentarmos pelos desencontros que podem desestabilizar os caminhos, é preciso retirar também destes momentos algo de bom, pois sempre podemos aprender, tanto com quem subtrai, quanto com quem soma. O que importa é aquilo que temos dentro de nós, aquilo de mais precioso e que nos resguarda: o amor.



segunda-feira, 15 de maio de 2017

NOSSA VIDA É UMA CONSTANTE VIAJEM QUE SEGUE

"É VIDA QUE SEGUE"


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Um dia cada um segue a sua vida...Sentiremos saudades de todas as conversas jogadas fora, dos tantos risos e dos momentos que compartilhamos, e que não vão voltar com certeza.
Sempre pensei que a amizade continuasse para sempre, hoje  já não tenho mais tanta certeza disso, vai depender do amigo em questão. 
Com o passar da vida cada uma delas vai para seu lado, seja pelo destino ou por algum desentendimento ou mesmo um mal entendido, segue a sua vida sem nunca esclarecer.
Talvez continuemos a nos encontrar, quem sabe...podemos falar ao telefone e dizer algumas tolices...
Aí, os dias vão passar, meses... anos... até este contacto se tornar cada vez mais escasso, e acabar caindo no abismo sem volta do tempo. 
Vamos nos perder no tempo... Vamos perdendo pessoas vivas.
Um dia olhando nossas antigas fotografias já não reconheceremos mais, naquelas pessoas, as mesmas pessoas e nos perguntaremos:
«Quem são aquelas pessoas?» Diremos a nós mesmos... que eram nossos amigos e... isso vai nos fazer voltar no tempo  «Foram meus amigos, foi com eles que vivi tantos bons anos da minha vida!»
A saudade vai apertar, mas quando o nosso grupo estiver incompleto... provavelmente vamos nos reunir para um último adeus a um amigo. E, entre lágrimas, vamos nos abraçar.
Então, tomados pelo choque de realidade do que é a nossa vida, talvez façamos promessas de nos encontrar mais vezes daquele dia em diante, mas as pessoas já não estão voltadas pra isso,  de alguns perdeu-se o rasto.
Por fim, cada um vai para o seu lado para continuar a viver a sua vida, isolada do passado.
E é assim que nos perdemos no tempo... porém o trem segue viajem!


sexta-feira, 12 de maio de 2017

FALANDO EM DIA DAS MÃES...

...FILHO É PRA QUEM PODE!



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Falando em dia das mães, que já é no próximo domingo, eu diria que filho é pra quem pode, ainda que a mulher seja biologicamente saudável e ou tenha condições financeiras de dar a criança tudo do bom e do melhor.    
Criar bem um filho não se resume a pagar a mensalidade de uma boa escola e encher a criança de presentes caros. Criar bem um filho não se resume a decorar um quarto lindo e levá-lo à Disney nas férias.
Falo isso, porque conheço algumas "mães" que sempre me fizerem duvidar, sobre a sua capacidade para o ser. 
As pessoas costumam rotular de egoístas as mulheres que não querem ter filhos. Mas talvez realmente egoísta seja a mulher que não quer ter um filho, mas mesmo assim o tem.
Infelizmente nem todas as mulheres nascem com vocação ou as tais "capacidades" que falei em cima, para serem mães. Pode parecer estranho, uma mulher não ter nascido para ser mãe. Mas acontece e ninguém se deveria sentir obrigado a ter filhos por nenhuma razão que não seja, efetivamente o verdadeiro desejo de ser mãe e a real intenção de se comprometer com a educação do filho.
Infelizmente vemos muitas mulheres sem instinto maternal que lutam para serem mães. Mulheres que trabalham muitas horas por dia e que se colocam em primeiro, segundo e terceiro lugar. Porque é que estas mulheres têm filhos? Para quê? Para cumprir um preconceito social? Para dizer que conquistou tudo o que é importante para uma vida próspera?
Filhos não são bonecas com quem brincamos quando queremos. Filhos são seres humanos extremamente dependentes e exigentes que vão desejar o melhor dos sentimentos, o melhor tempo e energia. Filhos precisam da companhia das mães. Filhos querem ouvir histórias antes de dormir. Filhos querem ser abraçados e beijados. Filhos querem contar o que aconteceu na escola e pedem ajuda para fazer os famosos TPC's. Filhos não querem ser filhos apenas nas férias, feriados prolongados e meia hora por dia.
Não digo que uma mulher não possa conciliar uma carreira com a maternidade. Claro que pode. Pode e deve. Mas mulheres muito voltadas para as sua carreiras, sempre no trabalho e em horas extra deveriam pensar calmamente se nasceram mesmo para serem mães.
Quem deseja uma vida livre de horários, quem deseja toda liberdade e tirar férias em qualquer época do ano, quem não se comove com o universo infantil e não se vê a assistir aos teatrinhos da escola, deveria ser sincero consigo mesmo e dizer “Não nasci para ser mãe”. A mulher não pode sentir que está a desperdiçar a sua vida ao cuidar do filho, como se ele fosse um "emplastro" na vida dela. Se ela assim o sente, além de sofrer muito, fará a criança sofrer também e a criança, seja ela qual for, em que País for, em que meio for, não pediu para vir ao Mundo. Crianças criadas com pouco afeto e paciência tendem a não conhecer limites e têm mais dificuldade para estabelecer vínculos afetivos fortes.
É muito triste ver tantas crianças a viverem de migalhas afetivas, aproveitando as sobras de tempo que a mãe oferece, quando a mãe ainda por cima não chega sempre tensa e nervosa?
Ser mãe não é carreira nem emprego. É vocação e missão.


quinta-feira, 11 de maio de 2017

SÓ PODEMOS AJUDAR QUEM QUER SER AJUDADO

MUITOS PREFEREM SOFRER COM UM DRAMA CONHECIDO A SEREM FELIZES COM UMA REALIDADE NOVA. OU SIMPLESMENTE NÃO ACREDITAM EM REALIDADES NOVAS


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Só podemos ajudar quem quer ser ajudado. Por mais que tentemos nos envolver nos dramas alheios, ouvindo e amparando, cabe a cada um decidir se quer realmente sair do buraco ou continuar nele. Cabe a cada um escolher entre aceitar o apoio do outro ou continuar se lamentando. Cabe a cada um reinventar ou pelo menos tentar reinventar a própria vida ou passar anos e anos reclamando e sofrendo por tudo.
Algumas pessoas odeiam o trabalho que fazem, mas não buscam novas oportunidades. Outras insistem em manter relações amorosas infelizes. Algumas pessoas criticam severamente certos "amigos", mas continuam se encontrando com eles regularmente e levando em conta a opinião dos mesmos.
Muita gente se recusa a aceitar a ajuda das pessoas que as amam. Muita gente se recusa a entender que precisam de ajuda, que não é apenas cansaço, que não é apenas uma fase, que não é falta de Deus. Que é falta de vida. Que é falta de lazer, de tempo para si. Que é falta de descanso, que é falta de tempo para se cuidar, para dormir, para se divertir, para rir, para jogar conversa fora, para ouvir uma música em paz, para se espreguiçar de manhã com calma.
Muita gente leva anos e anos para aceitar que precisa de ajuda, que precisa de terapia. Terapia para si, de casal, para os filhos. Sim, não é fácil perceber que somos autores de nossa vida e que temos responsabilidade sobre como reagimos àquilo que nos acontece. Não podemos impedir que as pessoas sejam cruéis conosco. Não podemos impedir que as pessoas nos machuquem, nos ironizem, nos abandonem, nos desprezem, mas por outro lado, podemos sim escolher entre sofrer eternamente ou superar. Permanecer no mesmo esquema doentio de vida ou tentar mudar.
Não temos culpa por apresentarmos um temperamento mais depressivo, mas podemos pedir ajuda, tentar nos entender melhor, buscar formas de nos sentirmos mais animados.
Infelizmente, por muitos motivos, as pessoas temem as mudanças, mesmo que sejam para melhor. Infelizmente, quebrar paradigmas é tarefa árdua e assustadora para muitos. Muitos preferem sofrer com um drama conhecido a serem felizes com uma realidade nova. Ou simplesmente não acreditam em realidades novas. Sem falar que na nossa sociedade, o sofrimento é uma forma de distinção social. Tanto o bem-sucedido como o mártir ocupam o seu lugar de destaque. No meio, ficam aqueles que vivem a vida, sem grandes conquistas, mas também sem grandes dramas, vivendo um dia por vez.


quarta-feira, 10 de maio de 2017

ENSURDECIMENTO PSÍQUICO

A DEPRESSÃO E A ANSIEDADE DE QUE MUITOS SE QUEIXAM PARECEM RESPOSTAS EMOCIONAIS AO MODO COMO SILENCIAMOS NOSSO MUNDO INTERNO


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A queixa que mais ouço das pessoas que se sentem deprimidas, ainda que não declaradas dessa forma, é de que sentem um vazio emocional que as impede de sentirem uma real sensação de alegria ou entusiasmo com o que ocorre em suas vidas.
Muitas delas tem uma boa vida, confortável financeiramente, com uma estrutura familiar razoavelmente afetiva, carregam sonhos pessoais. De modo geral, a abordagem que muitos usam para explicar esse sentimento é de que a nossa cultura, que valoriza o parecer ao invés do ser ou o ter ao invés de usufruir estaria causando um tipo de perda profunda, quase uma apatia espiritual (não no sentido religioso) dos nossos tempos. É bem verdade que a cultura estimule tudo isso com os coloridos mais intensos no mundo do cinema, séries, novelas e perfis superestimados no Instagram e Facebook. No entanto, há uma questão que pouco se discute que é a parcela individual que cada pessoa, como eu você, que colabora com esse ensurdecimento psíquico. A depressão e a ansiedade de que muitos se queixam parecem respostas emocionais ao modo como silenciamos o nosso mundo interno. Por receber tão pouca atenção de qualidade nossa mente parece adotar essas duas estratégias como sinal de alarme. Ela vai desligar a sua capacidade de continuar se excitando cegamente com qualquer estímulo (depressão) ou deixará você tão sensível e amedrontado com tudo para entupir a sua “caixa de entrada de e-mail” a ponto de não aguentar mais nenhum estímulo (ansiedade). Nossas doenças emocionais são um pedido forçado de socorro, é o jeito que a mente encontra para sinalizar que correr a 300 km/h pode parecer bonito para os outros, mas tem um custo emocional gigantesco. A gritaria que impomos para o nosso mundo interno é tão intensa e compulsiva por prazer imediato (comida, entretenimento, dinheiro, compras) que nossas emoções desenvolvem um tipo de surdez seletiva. Nos auto-bombardeamos de tanta internet, noticia, recados de celular, informação desnecessárias e até busca por aborrecimentos cotidianos desnecessários, que a mente bloqueia o excesso. O problema é que ao bloquear o excesso criamos novas necessidades e vamos lentamente aumentando a tolerância para o lixo emocional que nós mesmos produzimos e consumimos. A mente bloqueia mais uma leva de “spams” emocionais. Vazio, portanto, é vazio de conexão consigo mesmo…