quarta-feira, 11 de novembro de 2015

ESSA TAL DE "NOVA ERA" # IDEOLOGIA DE GÊNERO

ELES QUEREM REPRESENTAR A IDEIA DE QUE VOCÊ PODE FAZER O QUE QUISER, DE QUE ELES VÃO DOBRAR O UNIVERSO E EXIGIR QUE ELE SE TORNE O QUE ELES QUEREM QUE ELE SEJA. 



A "Nova Era" é conhecida como uma onda cultural / filosófica/ religiosa que pretende reagir contra o presente estado da humanidade e empurrar esta a uma nova consciência, para uma nova forma de ser espiritual. Essa onda nem é tão antiga mas suas raízes vem de longa data. Creio que não há nenhum aspecto de nossa vida que já não tenha sentido seus efeitos de alguma forma.
Ela não é uma seita, nem uma igreja, nem uma religião. É uma forma de ver, pensar e atuar que muitas pessoas e organizações adotaram para mudar o mundo segundo certas crenças que têm em comum. Mas não tem chefe, nem regras, nem doutrinas fixas, nem disciplina comum.
Fala de muitas coisas que tocam nossa fé: Deus, a criação, a vida, a morte, a meditação, o sentido de nossa existência, etc. ... mas não é uma religião. Toma diversos aspectos de muitas religiões e também das ciências e da literatura e os mistura com certa originalidade para dar respostas fantásticas às perguntas mais importantes da vida humana. Às vezes inclusive usa uma linguagem cristã para expressar idéias muito contrárias ao cristianismo.
Quando alguém não aceita esta absurda visão de Deus, do homem e do mundo, a "Nova Era" lhe diz que sua consciência ainda não está iluminada e que sua compreensão está condicionada por esquemas culturais que serão superados na nova era.
Podemos dizer que o Deus da fé cristã é infinitamente superior ao homem, mas se inclina a ele para entrar em amizade com ele. O "deus" da "Nova Era" é o próprio homem que está além do bem e do mal. Na "Nova Era" o amor mais alto é o amor a si mesmo.
Pretendo falar dos equívocos e mostrar como boa parte desse discurso ignora o melhor da ciência e o melhor da religião, reunindo o pior de ambas. 
Aponto minha provocação para a salada de pseudo-física-quântica, PNL, espiritualidade-de-super-mercado, ocultismo. Suas idéias e seus objetivos que recolhem elementos das religiões orientais, do espiritismo, das terapias alternativas, da astrologia, do gnosticismo e outras correntes. Os mistura e os comercializa de mil formas, proclamando o início de uma nova época para a humanidade. Mas, no fundo, não parece ser mais que outra tentativa vã do homem de se salvar por si mesmo fazendo promessas que não pode cumprir e atribuindo-se poderes que não possui. Sem falar que a transformação proposta por eles passa apenas por uma mudança de crenças, e que crenças!
A ideia do conceito de ideologia de gênero é um bom exemplo, tem sido tema de discussões acaloradas e se encaixa perfeitamente com a ideologia do movimento "Nova Era" (que pretende, aos poucos,  estabelecer uma nova ordem mundial, um Novo Governo Mundial e uma Nova Religião Mundial).
Tudo isso pode soar como algo saído de um romance de ficção científica. Mas há um monte de gente lá fora que é absolutamente obcecada com essas coisas, e muitas destas pessoas estão em posições muito proeminentes ao redor do globo. Por isso devemos considerar o assunto. Pois que essa ideologia (a de gênero) já esteve na iminência de ser  acolhida em nossa legislação.  
A grosso modo a ideologia de gênero esvazia o conceito de homem e mulher e o pessoal LGBT apoia a causa, mas o que eles parecem ainda não ter entendido é que  esse conceito  está para além da heterossexualidade, da homossexualidade, da bissexualidade, da transexualidade, da intersexualidade, da pansexualidade ou de qualquer outra forma de sexualidade que existir. É a pura afirmação de que a pessoa humana é sexualmente indefinida e indefinível. Pois o gênero é mutável e pode inclusive variar indefinidamente ao longo da vida.
Nesses termos não haveria mais motivo para levantar nenhum tipo de bandeira contra o que quer que fosse dentro do âmbito da sexualidade. Essa ideologia destroi qualquer identidade sexual que o sujeito tenha. 
 Vejam os homossexuais pleiteiam igualdade, mas para ter igualdade eu preciso ter identidade, eu não posso ser igual se eu não sou alguém, se eu não tenho se quer uma identidade, se a identidade passa a ser uma coisa indefinida. 
A sensação que eu tenho é que a ideologia de gênero é como um rolo compressor com intuito de acabar com tudo, arquitetando mudar a estrura da sociedade e destruindo logo de cara a família.
Citei a ideologia de gênero como um exemplo típico da visão de mundo que os adeptos new age gostam de propagar. Mas pensando bem esse assunto da identidade de gênero é tão sério e tão complexo que é melhor não pensarmos na ideologia de gênero no campo do exoterismo, do ocultamento, da teoria dos iniciados e afins.  Porque se assim for poderá ser confundido com qualquer assunto banal sem relevância e fantasioso e não se trata absolutamente disso.
Que alguns propaguem coisas assim, isso, ok, vai sempre acontecer. Mas quando vemos a possibilidade de que muitos se confundam e vejam isso como sabedoria e que depois esses muitos vão sofrer pacas nesse mundo infundado, bem, aí precisamos meter o dedo. Toda forma de pensamento é valida desde que o indivíduo que a interpreta tenha condições de analisar criticamente esta nova forma. 
A minha visão dessas ideologias é que o olhar deles é uma mistura de narcisismo, materialismo espiritual, dogmatismo e autoengano. Num certo sentido, todos nós caímos nisso eventualmente. Uns mais, outros menos. Por isso considero importante sempre tentar abrir esses olhos e sempre checar se estamos caindo nisso ou não. O maior sintoma disso é um monte de certezas sobre a vida e quase nada de transformação na mente e nas relações no que diz respeito a nos tornarmos pessoas melhores.
É bom sempre falarmos dos possíveis equívocos em que todos nós podemos cair. 
Me estenderei sobre o assunto com mais propriedade no próximo post.

Se você não está a par do assunto veja esse vídeo, a título de ilustração, para que você tenha alguma ciência do assunto.

terça-feira, 10 de novembro de 2015

O AMOR E A MENTE

O QUE UMA PESSOA FAZ É SINTOMA DO QUE ESTÁ NA MENTE

Muitas religiões ensinam o amor universal, mas como desenvolver isso dentro de você? Penso que primeiro é preciso desenvolver uma mente equilibrada em direção a todos; a primeira coisa é treinar o equilíbrio. Acho que você estaria sonhando se pensasse que pode desenvolver algum amor sem isso.
Visualize todos os seres ao seu redor e perceba que, assim como você, todos querem felicidade e não querem infelicidade. 
Mesmo se você realmente quisesse se sentir irritado com alguém, é com a mente confusa daquela pessoa que você deveria estar chateado. A mente está descontrolada; quando alguém ataca você, está sendo levado por apego ou raiva descontrolados;  e é disso que você deveria estar com raiva. Se alguém te atropela com um carro, você não fica com raiva do carro. O motorista interior é a mente insatisfeita da pessoa, não os sintomas de suas emoções. O que uma pessoa faz é sintoma do que está na mente.
Você tem que conhecer sua psicologia, como sua mente funciona, como você discrimina outras pessoas muitas vezes por razões ilógicas. Por isso, você precisa refletir. Para descobrir onde está o amor dentro de sua mente, você tem que desenvolver equilíbrio em relação a todos os seres. Assim que você desenvolver equilíbrio, não tem que se preocupar com nada; o amor virá automaticamente. Não é algo que você seja capaz de forçar.
Quando sua mente está em equilíbrio você automaticamente se sentirá muito bem. Você não tem que dizer: “Eu preciso ser feliz.” Você automaticamente será pacífico e feliz. Mas é impossível atingir esse nível sem parar e olhar pra si. Sem refletir você não consegue se livrar de qualquer apego que seja, e menos ainda será capaz de experimentar algum amor. 
O apego é nossa parte necessitada, neurótica e insatisfeita que anseia por alguém lá fora, acreditando que quando chegarmos a esse alguém, nós estaremos felizes. No nível mais fundamental, o apego é esse sentimento de carência dentro de nós; aquela crença que de alguma forma "Eu não sou o suficiente".
Se há alguma alegria em nosso relacionamento, é por causa do amor. Se há raiva, mágoa, inveja e todo o resto, é o resultado do apego. Mas é tão difícil ver isso!


segunda-feira, 9 de novembro de 2015

VIVER COM CAPRICHO

SE TIVESSE QUE COMEÇAR HOJE FARIA QUASE TUDO DE NOVO



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Com a presença do neto, a primeira coisa que me vem a mente é parar um minuto pra refletir sobre a idade que eu atingi. Você pensa: 'Puxa vida, estou com tantos anos'. Logo depois vem uma ideia da família, da beleza da família, creio que a melhor maneira da gente aproveitar a vida é na apologia da família, na construção de uma família.
Eu, sou muito brincalhona com as crianças. E com isso a gente enxerga que ainda tem, graças a Deus, um espírito de criança. Acho que é muito importante a gente manter esse espírito infantil ainda dentro de nós, porque é o momento em que a gente tem mais a oferecer por causa da nossa experiência de vida.
Como pessoas queremos sempre melhorar, como pais queremos fazer o nosso melhor, queremos ser referência. Todo pai bacana tende a ser imitado pelos seus filhos e os filhos tendem a orgulhar seus pais que lhe deram amor. Eles retribuem o amor. Em tese quando você entrega amor, você recebe amor em troca. Eu acho que com a idade vamos atingindo nosso objetivo de ir ficando melhores ainda, porque estamos mais maduros, com uma visão mais bem definida sobre tantas coisas, e se empenhando para ainda ter saúde e aproveitar bem todos os instantes desse ato sagrado que é a vida. Essa é a minha esperança.
Creio de verdade que saúde não se compra na farmácia. Talvez as doenças não existam. Elas só se desenvolvem na falta da saúde. E como disse saúde não se compra na farmácia. É um estilo de viver. Quando a gente vive com capricho, quando tem um trabalho que gosta do que faz, quando tem um amor, uma família, quando tem alegria… Tem pouca chance de adoecer. Percebi na minha vida e com as teorias da minha formação que a grande maioria das patologias cursam com pessoas que tiveram importantes problemas emocionais na vida. Então, no que depender de mim,  ninguém vai ver muito a cara dos médicos não.
É muito importante para o bem de todos e felicidade geral, ter consciência que os nossos filhos têm o direito de construir a vida deles. Que a gente deve poupar os conselhos em demasia. Temos que nos lembrar que foram através dos nossos erros que a gente chegou até essa idade do jeito que deu. A gente deve deixar que as crianças descubram por si só como a vida é: a vida é uma luta, é dura, uma batalha, mas a vida pode ser bela. Em relação a qualquer coisa, com os netos por exemplo, é a mesma coisa. A partir do momento que um avô interfere na conduta que o filho vai tomar com o seu neto, está obstruindo uma história que ele tem que viver por si só.
Uma mensagem legal para meus amigos  e amigas  é: aproveitem a vida. às vezes muitas pessoas envelheceram e se esqueceram de viver. Quem sabe com a idade chegando, chegou o momento pra você acordar e realmente parar pra viver? Nunca é tarde. Eu acho melhor viver no último minuto da vida de verdade do que passar uma existência inteira sem nunca ter vivido. Então, aproveitem tudo. Uma boa mensagem: aproveitem todos os momentos com paixão e maturidade. Muita gente viveu, chegou a certa idade, e não parou um minuto pra ver onde está, ver o que está fazendo. 
Onde será que se esconde a felicidade. No poder? Na beleza? Acho que se esconde quando a gente descobre que escolheu o caminho certo pra gente mesmo. Estar feliz e contente com o que você fez na sua vida e poder dizer tranquilamente que se você pudesse começar tudo de novo você repetiria quase tudo o que você fez. Esse é o grande momento de qualquer um.

sábado, 7 de novembro de 2015

AVOSIDADE

NASCE O NETO NASCE A AVÓ


“Se alguém ama uma flor da qual só exista um exemplar em milhões e milhões de estrelas, isso basta para fazê-lo feliz quando as contempla”.
O Pequeno Príncipe


Nasceu quinta-feira passada, dia 5/11/2015  meu primeiro neto, RICARDO, e eu não podia falar de outro assunto hoje. Por quê?
Porque a vida de uma pessoa é algo que se impõe!
É um fato que na verdade não pode ser definido por nenhum discurso. Mesmo assim eu vou tentar!
...
Nasceu meu primeiro neto, filho do meu primogênito RENAN e da RAQUEL, leva o nome da família adiante. Parece muito simples, ter filho e ser avó é algo muuuuito comum. Acontece com todo mundo, mas embora tudo faça parte do cotidiano da vida, quero falar o quanto é maravilhoso ver a vida se renovar e ter entre nós um novo rostinho. A avosidade começa! 
Isso me faz refletir intensamente para além dos meus dias aqui e é impossível fazê-lo sem voltar meu olhar para o passado. Percebo que a espiral da vida deu uma volta completa. Um novo ciclo se inicia… a família aumenta. 
Os netos são como heranças: você os ganha sem merecer. Sem ter feito nada para isso, de repente lhe caem do céu. É um ato de Deus. 
Meu filho presenciou o parto do seu primeiro filho, acho que quem presencia um parto vê DEUS ali em todos os momentos. A concepção e o nascimento de uma criança exemplificam a maior obra-prima da criação de Deus. Sem medo de errar! Todo bom cientista tende a se aproximar de Deus porque acaba concluindo que a razão é muito ineficaz em definir a vida.
Como fiz com os meus três filhos consagrei a vida desse pequenininho a DEUS.
E na minha avosidade sou imensamente grata a ELE pela vida do RICARDO.

quarta-feira, 4 de novembro de 2015

DO ERRO À CULPA

ERRAR É HUMANO E A CULPA É DESNECESSÁRIA

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O melhor jeito de não repetir uma cagada é entender o mecanismo que a gerou. Se entendemos isso, não mais nos sentimos culpados, pois sabemos que aquilo aconteceu por tais e tais causas e condições, não porque somos uns imbecis, porque somos ruins, negativos, estúpidos, ridículos, patéticos, como uma pessoa bem culpada se descreve.
Eu já vi mais de uma pessoa se sentindo culpada, se descrevendo assim à noite, e fazendo a mesma cagada no dia seguinte. É um mecanismo que se retroalimenta: eu faço a cagada e me puno me sentindo mal.
Se eu faço cagada e entendo o que está acontecendo, não há por que me sentir mal. É como ver a chuva e saber que está tudo OK, está chovendo porque isso acontece assim e assim. Olhamos e entendemos, sem se debater ou lutar contra, sem reclamar. Olhamos e até sabemos o que fazer quando chove. E depois, quando está Sol, não ficamos lembrando de como foi horrível quando choveu. Apenas nos levantamos e deixamos o Sol bater na nossa cara.
Uma pessoa que erra e não se culpa está bem mais livre para agir de modo mais positivo e responsável no dia seguinte. Não porque ela focou em não se culpar, não, isso é efeito da coisa, mas porque ela entendeu que agiu de modo confuso ou que a m@#%* simplesmente aconteceu, como uma chuva. Ela não é tão autocentrada a ponto de achar que é a causa de toda a m@#%*. Mas isso não significa que ela abdique de toda responsabilidade. Pelo contrário, ela descobre que é responsável por suas experiências e começa a se relacionar com a liberdade dos outros de construir suas próprias experiências. Isso significa que ela entende melhor o mundo dos outros, o fato de que eles constroem experiências igual a ela e vivem em outros mundos. Resultado: ela procura evitar causar sofrimento e confusão para eles, pois sabe bem como isso é ruim para ela e como acontece o mesmo com os outros. Enfim, não sentir culpa ajuda a criar esse ciclo ético. Ao mesmo tempo, a pessoa entende que todas as aflições são impessoais. Então ela para de culpar os outros.
Muitos de nossos erros são apenas nosso fracasso ao tentar controlar a vida que se movimenta livre (dentro ou fora de nós). Ou seja, erramos por seguir impulsos ou pensamentos (reagimos por dentro) ou por ser arrebatados por forças maiores ou mesmo por reagir a situações que nos perturbam e desestabilizam. 
É fundamental nos conscientizarmos de nossos passos mal dados, e não ficar se culpando, não adianta se culpar. Pois que se há um inimigo, é a cegueira, a ignorância, a raiva, a confusão que faz você dar esse mau passo. Isso não significa que não haverá consequências . Significa apenas que a culpa é desnecessária.


terça-feira, 3 de novembro de 2015

INTENCIONALIDADE

IDENTIFIQUE O SEU OBJETIVO E CAMINHE ATÉ ELE


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Intencionalidade significa prestar atenção: significa fazer as coisas com propósito – não de forma passiva, ou reativa, não apenas porque é nossa obrigação. Fazer algo com a intenção de obter o máximo possível, o que quer que isso queira dizer num dado contexto.
Com a comida, isso significa nos assegurarmos de que estamos comendo “bem” no sentido de que estamos ingerindo o que o corpo precisa, e que estamos aproveitando bem o processo de comer, sem considerá-lo uma provação, e que estamos comendo de uma forma sustentável: sem esgotar os recursos, sem comer de mais ou de menos, sem tomar a coisa como a mais importante de sua vida, e sem a relegar a um papel de coadjuvante no seu palco pessoal. Um relacionamento equilibrado.
A intencionalidade funciona de modo semelhante com as pessoas: significa encontrar um equilíbrio que é tanto sustentável quanto agradável. Significa colocar outras pessoas em sua vida de forma saudável – de forma que não seja codependente ou dissociada. Sem tentar enganar o sistema com gambiarras ou invenções, mas também sem ignorar como se pode melhorar o enfoque de conhecer e interagir com os outros. Melhorar as conexões, sim; mas o fazendo apenas de acordo com as instruções estritas oferecidas com alguém com necessidades e objetivos diversos, não.
Cada relacionamento é diferente, e da mesma forma são as necessidades de cada pessoa: algumas preferem um arranjo mais tradicional, arquetípico (o que quer que isso queira dizer na cultura em que foram criadas), enquanto que outros buscam algo ligeiramente menos convencional. E ainda há outros que preferem algo tão diferente do que é tido como normal que seu modelo ainda nem tem nome.
Qualquer que seja o seu caso, considere como os relacionamentos podem ser mais intencionais, mais customizáveis para você e suas necessidades.
E então, dotado desse conhecimento, aja de acordo com ele. Embora seja maravilhoso ser intencional, querer melhorar algo é só colocar o sapato – em algum momento você precisará sair pela porta e caminhar até o objetivo que você identificou.



segunda-feira, 2 de novembro de 2015

REFLEXÃO DE DIA DE FINADOS

TER UM DIA DOS MORTOS É BOM PRA GENTE ACORDAR PRA VIDA


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Na vida muitos já entram em campo derrotados. Nosso carrasco inicial é a esperança de vitória, o foco no sucesso, a expectativa, a necessidade de se dar bem. Olhar demasiado à frente que nos faz perder contato dos dedos com o chão. Ao menor obstáculo ao sucesso, seguem naturalmente ansiedade, desespero, confusão, cegueira. Sem um final feliz, é como se o jogo não tivesse sentido algum.
Ainda que se atinja alguma vitória, sempre somos perdedores nesse processo. Na vida MESMO FAZENDO TUDO CERTO, muitas vezes perdemos. E, pra piorar a situação, mesmo se ganharmos tudo, a morte ganhará o grande jogo. Ou seja, nossa derrota é inescapável, mesmo se fizermos tudo certo.
No entanto, para que o jogo se faça é preciso querer ganhar. Como então desfrutar do jogo e não ser escravo da vitória? Guardemos essa questão por enquanto.
Além de tentar cancelar ou, pelo menos, apagar a intensidade do jogo no qual perdemos, uma das primeiras reações à derrota é a culpa. Apontamos para outras pessoas, condições externas e, principalmente, para nós mesmos. Se deu errado é porque alguém fez algo errado. Vivemos sob a crença de que errar não é natural:"Não era pra ser assim".
Errar é completamente natural. Dar m@#%* também. Ou você esqueceu que estaremos todos mortos em breve?
Nosso desconforto com o erro se soma a uma auto-importância exagerada. O resultado é a culpa. Em vez de reconhecermos que falhamos porque operamos sob o efeito de alguma confusão, em vez de olhar para os fenômenos de modo impessoal, confirmamos nosso senso de identidade ao olhar para o passado: "Eu errei, eu sou culpado por aquilo". Se há culpa, a possibilidade de um novo erro idêntico é maior, já que o padrão confuso ainda está presente, camuflado por um fator compensador, um auto-flagelo, uma dor na consciência.
Se não mais me identifico com a confusão ou com a aflição que gerou a falha, não há a necessidade de me punir, ou seja, eu não sinto culpa. Por consequência, paro de culpar os outros e exigir explicações constrangedoras quando tudo dá errado.
A experiência só é válida quando a gente para e vamos entender o que deu errado e onde precisamos melhorar.
Normalmente junto à culpa, surge o hábito de listar os equívocos em nossa lista de "Fazer /Não fazer". Geramos espertezas que interpretamos como insights de elevada sabedoria. Contamos orgulhosos para os amigos: "Depois dessa, aprendi que...". Ganhamos experiência. Nas próximas vezes já saberemos o que fazer para dar tudo certo, não é mesmo? Pena que a vida é sacana e nunca repete um evento...
Não conseguimos lidar sequer com a perspectiva de um novo fracasso. Fazemos de tudo para criar uma identidade imbatível, infalível, perfeita, preparada, turbinada, com todas as defesas possíveis para qualquer situação imaginável. Queremos vencer, queremos nos sair bem. A grande ironia é que, mesmo quando fazemos tudo certo, muitas vezes dá tudo errado. Ou seja, o fracasso não é critério pra nada. ;-)
Quando mais uma derrota acontece, a maior causa do sofrimento não é a derrota em si, mas a frustração de nosso longo processo de preparação para a vitória. Não sofremos pelo jogo, não tanto quanto sofremos pelo colapso da identidade que tentávamos sustentar.
Na verdade, a listagem de erros e melhorias é um efeito de nossa incapacidade de ficar parado. Sempre que algo dá errado em nossa vida, a primeira reação, antes mesmo de qualquer sofrimento ou confusão, é uma ansiedade em se mover, uma necessidade de resolver as coisas.
Sentimos nitidamente que estamos diante de algo que não deveria acontecer e então nos esforçamos para consertar, para mover as coisas de volta ao "normal". Como a vida não está nem aí para nossos pedidos de mimos e confortos, sofremos de tempos em tempos, ao menor movimento contrário ao nosso.
A sensação de derrota vem justamente de querermos que as coisas sejam de um jeito diferente desse que se faz presente. Sem essa teimosia mimada, sem essa tentativa de controle, sem essa esperança infantil, nossas derrotas seriam bem menos sofridas. Ou melhor, seriam vividas como derrotas, erros, fracassos, falhas, sem nenhuma necessidade de justificativa, retoque, conserto, culpa ou promessa.
Outra possibilidade diante da derrota...
O padrão que descrevi acima é bem previsível e facilmente encontrado em todos nós. Nossa ação, porém, pode ser completamente diferente.
Para responder a pergunta do começo do texto, vamos analisar a qualidade sacana de qualquer jogo, ou seja, qualquer espaço no qual podemos viver algo. Sem entrar em um relacionamento amoroso, por exemplo, não é possível, casar, ter filhos e viver mil experiências que esse jogo torna possível. No entanto, esse mesmo jogo abre várias outras possibilidades ruins: traição, pensão, morte da mulher, morte do filho, ciúme...
Como somos sedentos por experiências positivas que movimentam nossa energia, entramos no jogo e fazemos de tudo para evitar as possibilidades negativas. Sem o jogo, não teríamos acesso a nada, então arriscamos. Sabemos o que fazer na vitória, mas viramos bebês na derrota.
Nosso equívoco, portanto, é achar que pode existir um jogo em que não haja derrota. Sem essa cegueira, é possível errar sem justificar, cair sem imediatamente levantar, falhar sem se culpar, perder sem reclamar ou sair de campo. É possível viver o desconforto da derrota sem tentar apagá-la e pular logo para a próxima vitória.
Um caminho além dos extremos é jogar com um pé dentro e outro fora. Jogar como se não fosse jogo e, ao mesmo tempo, sabendo que é um jogo. Um pé confere intensidade e nitidez, enquanto o outro pé fica responsável pela leveza, ludicidade e liberdade. Um joga pela taça, outro dribla como se fosse uma pelada qualquer. Um entende e respeita as regras, o outro enlouquece e anda livre no espaço além dos campos. Ao mesmo tempo em que pisamos como todos esperam, mantemos um sorriso misterioso como se estivéssemos em outro lugar.
Comparado com nossa condição atual (jogamos com um pé atrás, não totalmente fora), jogar assim é muito mais divertido: além do jogo em si, há a experiência de estarmos sempre conscientes da loucura daquilo. Por estar além do jogo, você mergulha com os dois pés e explora muito mais suas possibilidades.
Ao ganhar, é possível que outros perguntem por que você não leva aquilo tão a sério. Ao perder, talvez alguém estranhe a ausência de culpa. Eles talvez confundam essa liberdade com indiferença, mas descartam essa opção assim que reparam no brilho dos seus olhos e na intensidade com que você dribla sem se preocupar tanto com o placar.