quinta-feira, 13 de setembro de 2018

A QUESTÃO NÃO É INCLUIR

A QUESTÃO É... CONHECER, RESPEITAR E CONVIVER




Todos os conceitos são mutáveis. As definições que moldam o modo que levamos a vida e as ideias que achamos inéditas estão dentro do leque do que o pensamento contemporâneo ocidental permite que tenhamos. Estes conceitos foram herdados, mudados, descartados e resgatados ao longo do espaço e do tempo.
Em outra época, em outro lugar, a noção de beleza, de justiça, de sucesso variam. As lições aprendidas hoje são heranças daquilo que se julgou plausível ou não manter. Os conceitos foram construídos baseados em acontecimentos passados. Sociedades que seguiram outros rumos, definiram outros conceitos, outra visão.
Essas semelhanças servem para caracterizar um grupo dentro de um tempo e espaço, para que as pessoas possam conviver partilhando de uma cultura que compreende os mesmos sinais, permitindo que interajam. 
Por tudo isso penso que a questão não ê incluir, palavra tão em voga ultimamente, não se deveria falar em incluir, e sim em conhecer, respeitar, conviver...


quarta-feira, 12 de setembro de 2018

A ALEGRIA DE ENVELHECER

O QUE VIVEMOS E FOMOS E SOMOS




Esse artigo é para você que nasceu no fim dos anos sessenta e começo dos setenta em um país subdesenvolvido da América do Sul. É para você que cresceu ouvindo rock; que viu a queda daquele muro pela TV, que se animou quando ouviu Nirvana no começo dos noventa e que hoje anda se sentindo mais ou menos, digamos assim... na envelhescência. Esse texto é para que você não negue a idade que tem porque, afinal, vivemos muitas coisas boas até agora
Olhe para trás mas não com essa expressão que mostra 
nitidamente que você já está precisando de óculos, apenas, olhe para trás. Olhe e tente enxergar as nuances mais doces da sua infância... Você consegue? Foi bem ali naquele trecho já escondido pelo matagal do tempo desse longo caminho de sua vida que você nasceu, não? Talvez no fim dos anos 1960 quando tudo isso aqui, digo, o seu país, era uma viva promessa de sonhos frescos e inocentes. Havia ecos de festivais da canção, moças que casavam ou casavam, uns poucos rebeldes mas nós estávamos chegando e nada disso importava. Depois fomos crescendo envolvidos de forma ainda distanciada, por uns nascentes ecos da revolta, mas éramos somente crianças perdidas em fantasias e gostávamos de brincar correndo pelas ruas.
O fato é que de qualquer forma, um dia a gente acha que correr nas ruas e subir em árvores não tem mais graça nenhuma e aí a gente começa a ouvir rock e a achar que ser criança é uma grande bobagem (mal sabemos o que nos aguarda rs). Mas no meu (nosso?) caso, isso aconteceu no começo da década de 1980. Você se lembra? Éramos tão jovenzinhos (pré-adolescentes como dizem hoje), tínhamos as bochechas gorduchas ainda e não gostávamos  quando conversavam com a gente como se ainda fôssemos crianças... Como os adultos demoram a entender certas coisas... como demoram.
E então, ali pelos 15 ou 16 – 1984 ou 85, talvez – enquanto nossos corpos  se trasformavam, encontrávamos algum diversão ouvindo, é claro: rock pop. E a gente achava que era maravilhoso (e era mesmo) sermos assim, tão jovens porque bem ali, naquele tempo da nossa chegada ao ‘mundo pós infância’ – estava ocorrendo no Rio aquela grandiosa ode ao... rock! O tal do ‘Rock in Rio’. Veja: era a primeira vez que o Brasil recebia de uma vez, bandas tão ‘tão’ como Yes, Queen ou Scorpions (na verdade eu não gostava tanto assim delas, mas de qualquer forma, nessa idade a gente se empolga fácil).
E nós tínhamos quinze ou dezesseis anos e sentíamos essa vibração e ela nos atingia com força. Eu estive lá e aquilo foi algo grandioso mesmo.
Mas embora pareça, isso não é uma tese saudosista sobre a adolescência e tudo que a envolve (digo, tudo, inclusive as dezenas de decepções semanais e a certeza de que o tempo está passando e que a vida não espera que a gente ‘entenda’ e sim que apenas ‘viva’).
Assim, aos sobressaltos e sabendo já, cansados de saber, aliás, que aquilo era um grande sonho que haveria de evaporar (afinal, tínhamos gente mais velha para nos lembrar disso o tempo todo, como não?! Como bem fazemos hoje com os pré-adolescentes que conhecemos) e que o Fred Mercury e o Cazuza eram gays (e: e daí?) e daquelas tantas bandas dos anos 1980.
Talvez ali pelos quase vinte anos, final dos 80 e já com a ‘ficha’ (sim: ficha; para soar datado mesmo) caindo; já tendo que decidir isso e aquilo; já sabendo que a vida não era nenhuma ‘viagem psicodélica’ como pregavam  – no final dos 80 já tão antiquados e tristonhos – hippies.
E nós nos tornando jovens e vendo que houve impeachment daquele fulano mas ele voltaria anos adiante, como um zumbi bem alimentado sabe-se lá do quê (quilos de ambição devidamente corrompida, gosmenta e úmida?)
E então, envelhecemos e ficamos com a cara dos nossos professores de física e matemática, aqueles que quando tínhamos 16 nos olhavam com um misto de espanto e pena... 
Mas aí, já tínhamos bem mais de 20, quase 30 talvez ou até mais que isso... Talvez dez anos a mais porque já nos parecíamos com nossos pais e professores e já nos preocupávamos com rugas e já sabíamos que algumas das nossas canções juvenis, antes tão frescas e puras, já cheiravam a mofo...
E, agora, aos quarenta e muitos é a hora certa de dizer – sentindo muito mesmo – que estamos irremediavelmente envelhecendo. Que nenhum novo procedimento estético poderá deter a flacidez da nossa cara e que só nos resta agora cantar aquela canção – tão bobinha afinal, daquela banda tão oitentista – ao contrário, e a plenos pulmões gritarmos ‘somos tão velhos...tão velhos..!” E assumir isso, sem neuroses ou tentativas bizarras de apagarmos tudo o que vivemos e fomos e somos: envelhecer tem lá suas espantosas alegrias e que bom que mais velhos que nós, lá adiante, ainda estão aqueles que nos fizeram gostar de rock  e se eles estão resistindo ainda, sigamos também, envelhecendo, porque disso, ninguém escapa (saibam vocês, pré-adolescentes do século XXI rs). 


terça-feira, 11 de setembro de 2018

AMIZADE É COISA MEIO SEM DEFINIÇÃO

GRATIDÃO AOS AMIGOS QUE A VIDA NOS TRAZ




Amigos. Palavrinha quase mágica, seres que surgem em nosso caminho e tanto nos ajudam a construir. Desde os amigos da tenra idade, aos que surgem em tantos outros momentos da vida. Todos especiais, todos únicos, todos com um papel em nossa vida. Uns são daqueles que você pode contar a sua vida em frente e verso. Outros tem mais sensibilidade para determinados assuntos, outros são pau pra toda obra, mas não se sentem a vontade com papos mais profundos. Cada um tem seu espaço na vida. Alguns ficam a vida toda criando história com a gente. Alguns são presentes mesmo com distâncias de muitos quilômetros. Outros passam tempo sem falar e nada muda. Uns passam certo tempo e seguem outro caminho, nem todos os seres especiais de nossa vida chegam pra ficar ad aeternum.
Tem os amigos daquela galera. Tem aquele amigo que é só seu. 
Amizade é coisa meio sem definição. São seres que chegam e quando percebemos já estão tão profundamente ligados que mal lembramos como era antes deles, até mesmo pensamos: “mas não estiveram sempre aqui?”. É quando se entende que as diferenças só servem pra tornar o outro ainda mais especial.
Amizade é compromisso sério, que ninguém tem medo de assumir. 
É torcer mesmo quando você está achando o outro completamente louco. 
Os de infância parecem carregar sempre aquele perfume dos tempos doces e não passa um encontro sem histórias que trazem de volta todas aquelas crianças que seguem dentro da gente. Os da adolescência são grandes sobreviventes dos dramas que passamos, esses grandes geradores de gargalhadas hoje. Tem os do cursinho, da faculdade, dos trabalhos. 
Amamos todos. Cada um do seu jeitinho, cada um sendo um presente. Os ciumentos, os carentes, os brigões, os do mundo da lua. 
E diga lá, quem é que vive sem amigos? É difícil achar! É de nossas melhores escolhas dividir a vida com essas pessoas tão diferentes a nós. Tão achados quanto perdidos na estrada da vida. Que sejamos sempre presentes na vida desses que escolhemos. 
Enfim, amigo em sua essência sabe ser. E que a gente jamais canse de transbordar gratidão por cada um desses encontros que a vida nos traz.



segunda-feira, 10 de setembro de 2018

PERSONALIDADE ESPONTÂNEA. MUITOS CONFUDEM ESPONTANEIDADE COM UM CARATER MALDOSO

SOBRE SER AUTÊNTICO




Ter uma vida autêntica não é sinônimo de ser inconsequente ou displicente com os deveres, sociais, familiares etc.
Sim, nós temos o dever de honrarmos a nossa palavra. Sim, nós temos o dever de pedir desculpas quando pisamos na bola. Nós temos o dever de levar as pessoas a sério. Não devemos prometer o que não podemos ou não queremos cumprir. Não devemos blefar com os outros como se a vida fosse um jogo de póquer. Não devemos induzir os outros ao erro, às expectativas frustradas, às decepções. Se alguém quiser se enganar , é uma questão pessoal e intransferível. Induzir o outro a uma leitura equivocada da situação, dar pistas falsas, indícios confusos, pode ser muito cruel mesmo que a intenção não seja ferir ou enganar.
Faz parte de uma personalidade espontânea e de uma vida autêntica a consciência de que a nossa liberdade termina onde começa a do outro. Que a liberdade e o bem estar do outro são tão valiosos quanto a nossa própria liberdade e bem estar.
Faz parte de uma personalidade espontânea e de uma vida autêntica o entendimento profundo de que não somos obrigados a prometer nada, de que não somos obrigados a nos responsabilizar por nada, mas que se optamos por nos responsabilizar, devemos cumprir os nossos deveres da melhor forma possível.
Faz parte de uma personalidade espontânea e de uma vida autêntica o desprendimento da necessidade de agradar a todos, de obter a aceitação de todos. Por outro lado, não correr atrás da aceitação alheia não significa hostilizar quem não reza pela nossa cartilha.
Não somos obrigados a fingir simpatias e afetos que não sentimos. Não somos obrigados a abrir mão daquilo que é importante para nós para nos adequarmos à vida dos outros. Não somos obrigados a ajudar quem só nos usa e se aproxima unicamente para pedir favores, virando as costas quando somos nós que precisamos de um apoio de qualquer natureza.
Ninguém deve se anular por ninguém. Não devemos deixar de sermos nós mesmos para agradar. Por outro lado, não precisamos sair pelo mundo alfinetando, hostilizando , colocando as pessoas em situações desconfortáveis ou manipulando-as para que elas se adequem a nós e às nossas necessidades.
Infelizmente, muitos confundem condutas levianas com um estilo de vida livre. Infelizmente, muitos confundem espontaneidade com um caráter maldoso. Mas na verdade, ser espontânea é buscar por uma vida mais autêntica, que faça mais sentido para nós mesmos, sem excesso de obrigações chatas, sem a necessidade constante de cumprir protocolos pra inglês ver.


quinta-feira, 6 de setembro de 2018

SILÊNCIO TAMBÉM É RESPOSTA

QUANDO A PALAVRA SE TORNA ESTÉRIL




Acredito veementemente no poder das palavras. Palavras, como diria o professor do filme "Sociedade dos poetas mortos", podem mudar o mundo. Palavras aconchegam, consolam, ensinam, inspiram, motivam, mas também esfolam a alma , a rasgam em mil pedações, geram traumas incuráveis, se materializam nos piores pesadelos que sonhamos acordados. Amo e temo as palavras em medidas quase iguais.
Porém, a vida que nos arrasta numa sequência tragicômica de experiências variadas vai nos mostrando que algumas atitudes não merecem respostas e que a melhor resposta é o silêncio.
O silêncio também é a melhor resposta para a hipocrisia, para aqueles que  vivem fingindo, que na realidade só querem representar ou simplesmente tirar algum proveito de qualquer coisa.
Devemos responder a quem nos questiona seriamente, a quem espera realmente uma resposta de nós. A quem se interessa pelo nosso ponto de vista ou simplesmente deseja entendê-lo, independente de concordar ou não com ele. Devemos responder a quem agrega valor à nossa fala. Quem apenas quer insultar e não apresenta a menor abertura para ouvir o que difere minimamente da sua opinião, não merece uma resposta. Mais do que isso. Esta pessoa não quer uma resposta.
Sim, muitas vezes o silêncio é a mais eficaz resposta, pois o silêncio representa a desistência, o abandono. Paramos de discutir com alguém quando descobrimos que não vale a pena, tanto a discussão em si como a pessoa em questão. Paramos de trocar ideias quando sentimos que nada do que falarmos vai resolver as pendências intelectuais e/ou afetivas. Paramos de usar as palavras quando percebemos que elas perderam a capacidade de transformar naquele contexto. Onde reinam a intolerância, a palavra se torna semente estéril.
Como dizer algo para quem não está escutando com o coração e a mente aberta? Como dizer algo para quem já decidiu de antemão odiar tudo o que vem de você? 
Sim, às vezes o silêncio é a melhor resposta. É a que responde melhor à indagação do outro. É que nos poupa dos mais inúteis dissabores.




quarta-feira, 5 de setembro de 2018

CADA UM DÁ O QUE TEM

PESSOAS SÃO INCRÍVEIS NO BOM E NO MAU SENTIDO




Sim, pessoas são incríveis, no bom e no mau sentido, infelizmente. Ao mesmo tempo em que encontramos quem nos eleva os ânimos, quem nos torna melhores e mais felizes, o oposto também existe.
Não podemos é entrar na vibração do outro, quando o que há ali fora é somente maldade e dor. Precisaremos manter intactas as nossas convicções, caso elas estejam mantendo o nosso caminho limpo e melhor. Revidar na mesma medida será o pior a se fazer quando isso significar agir de maneira contrária aos sentimentos que aninham o seu coração. O que temos de melhor sempre nos protegerá do pior de cada um que vier a atentar contra nós de alguma maneira. 
Existem pessoas que queremos evitar. Existem indivíduos que desejamos acompanhar. Uns machucam e ferem; outros, aliviam e confortam. Cabe a nós absorver apenas o que chega com bondade e amor, sem desistirmos de nossa essência, porque, como dizem, cada um dá o que tem. Sempre foi assim e assim sempre será. Vivamos!

terça-feira, 4 de setembro de 2018

NOSSA POLÍTICA É RIDÍCULA

O RIDICULO CRESCE A INTELIGÊNCIA DIMIMUI




A vida política brasileira parece ter perdido qualquer noção do ridículo. 
O fenômeno afeta os três Poderes e os exemplos são muitos.
Corrupção, acordos escusos, mentiras deslavadas. Esta é a política que nós conhecemos. Um político acusa o outro, a mídia expõe os problemas de vários e o povo trabalhador, cada vez mais perdido, vai perdendo as esperanças e o interesse em política. Desanimado, chamam-no de palhaço por não se informar. Mas quem é o verdadeiro palhaço? Seria o povo, que vive em condições precárias, sem educação para saber o que está acontecendo, quem é honesto e quem não é? Ou seriam os políticos, que aparecem na televisão com um sorriso e um pedido: "Vote em mim, pois eu sou honesto, capacitado e represento as suas vontades"?
É como se dissessem:
- Caro cidadão, cara cidadã, adivinhe se eu digo a verdade! Eu sei, você não me conhece, mas terá que me julgar nestes poucos minutos a partir desta aparência maquiada, deste sorriso falso e deste discurso artificial. Não pode? Como não pode? Você não é vidente?
Esperaríamos, então, que todo santo habitante de nosso mundo conhecesse o mínimo sobre política e economia antes que pudesse votar "corretamente"?
Mas como isso poderia acontecer se aqueles que a sociedade ergue ao Palácio (que seriam teoricamente responsáveis por fornecer esta educação mínima necessária) não representam seus interesses, mas os interesses daqueles que financiaram suas campanhas? Oras, esta teria algum interesse em sua educação política?
Pobre povo que trabalha o dia todo para sustentar, não só a própria família, mas também a essa corja de políticos! Se o político que, ontem, era do povo, dizia-se revolucionário, hoje aperta a mão dos conhecidamente corruptos em troca de alguns minutos de televisão, que raios de revolução foi essa? Oras, políticos fazendo acordos escusos para serem eleitos, isso já existia aos montes! Onde está a transparência, a honestidade, a verdadeira representatividade?
Cadê a democracia?
E o povo, se já estava perdido, quanto mais agora! Em vez de aproximar o povo da política, dão ainda maiores motivos para que este se afaste e confie ainda menos nos políticos! Se fazem acordos e concessões, se passam a perna no povo às abertas, o que farão quando estiverem no oculto? Se mentem para ele sem a menor vergonha na cara, como podem sequer ousar dizer que o representarão quando estiverem lá em cima, naquele palanque? Ou devo dizer: palanquim?
Como a sociedade confiará em alguém que nem sequer é sincero quando se dirige a ela? Não podem nem mesmo respeitar àquela que os colocam lá em cima? Neste mar de insanidade e hipocrisia, onde estão os políticos que se negam a rebaixar seu próprio nível em troca de votos e a seguir jogando este jogo de cartas marcadas? Quem é que dará um basta nessa discussão sobre quem dentre os políticos é o "menos pior"?
Não são os políticos que são corruptos, muitos deles (acredito eu) têm as melhores intenções do mundo. Mas o sistema todo é corrupto. Raros são aqueles que estão lá em cima sem o apoio financeiro das empresas e dos bancos - e, portanto, representam a estes, não ao povo que os elegeu. A corrupção começa aí: não são as propostas, a capacidade ou o discurso, mas sim o dinheiro que elege quais partidos e quais políticos terão condições financeiras para fazer sua campanha e concorrer às eleições. Por trás de cada político corrupto há um empresário corruptor garantindo a manutenção de seus interesses. Isso não mudará, não pode mudar sem uma verdadeira revolução, pra mim só quando houver uma auto-organização das pessoas que já se revoltaram, até que elas se tornem cada vez mais forte a ponto de ir substituindo a organização existente.