segunda-feira, 13 de abril de 2015

ILUSÕES DE ÓTICA

O OLHO VÊ, O CORPO SENTE MAS É A MENTE QUE PENSA E CRIA SENTIDO.



Durante toda a nossa vida, buscamos experiências positivas de felicidade e evitamos experiências negativas de sofrimento.
Quando vamos atrás de álcool, carros, grana, poder, locais paradisíacos, retiros espirituais, alucinógenos, comidas, noitadas, na verdade não estamos querendo nada disso. Queremos apenas estabilizar, por meio desses suportes, algum estado de felicidade, prazer, diversão, vida com sentido e leveza que já atingimos alguma vez ou que imaginamos ser possível. Só isso.
O lance é que não conseguimos atingir e sustentar tal estado positivo diretamente, então inventamos condições, na esperança de aumentar a probabilidade disso tudo acontecer. Por exemplo, durante um jogo de futebol, a pessoa coloca sua felicidade na mão de um time, ou melhor, em um tipo de camisa, pois jogadores e técnicos mudam o tempo inteiro.
Então, considerando que as camisas são praticamente iguais, na verdade, você permite que estampas controlem o batimento do seu coração. E não só com times e estampas. Fazemos isso com pessoas, relacionamentos, lugares, coisas, situações...
Ora, se o que nos deixa bem são as experiências positivas, vamos aprender a produzi-las e sustentá-las mesmo na ausência de dinheiro, mesmo durante a derrota de nosso time. É impossível estabilizar a chuva ou controlar os movimentos dos jogadores no campo, mas podemos estabilizar aquilo que realmente define se a chuva ou a final do campeonato vai nos causar uma experiência positiva ou negativa: nosso corpo e nossa mente.
"Não importa o que acontece com você, mas o que você faz com o que acontece com você". Já ouviram essa máxima existencialista ... né? 
Vocês já devem ter ouvido falar que nossa felicidade ou sofrimento não tem quase nada a ver com o que estamos fazendo, mas como está nossa mente. A qualidade de nossa experiência não é definida pelo que acontece, mas por como nosso corpo e nossa mente agem sobre o que nos acontece.
Assumir a responsabilidade por todas as nossas experiências é o mesmo que resgatar nossa liberdade, já que a servidão é justamente ser condicionado, ser refém, ser afetado, reagir passivamente a fatores externos. Se nos descobrimos como autores de nossas experiências,  imediatamente nos tornamos livres.
Afinal, tudo o que nos acontece passa pelo nosso corpo e pela nossa mente, não é mesmo?
Ora, é sensacional a capacidade de se descolar da realidade imediata e projetar a mente para o passado ou para o futuro; o problema é não deixar o processo compulsivo pelo qual a mente sabota a si mesma, fazer a gente funcionar a ponto de perdermos o direcionamento de nossos pensamentos e emoções. 
Com uma mente estável, seremos capazes de gerar e sustentar experiências positivas, não importa onde, como, com quem ou quando. Não importa se dispomos de muitos ou poucos objetos, se as situações e eventos se configuram de um jeito ou de outro, se a vida anda bem ou mal ao nosso redor, pois as experiências positivas não dependem disso. 
Então que tal  nos dedicarmos a alterar a qualidade de nossa experiência?



sábado, 11 de abril de 2015

EXERCÍCIOS FÍSICOS SEM STRESS... SEU CORPO AGRADECE!

O PRAZER PRECISA ESTAR EMBUTIDO NA HISTÓRIA, SE NÃO NÃO HÁ COMO ADQUIRIR O HÁBITO.



Não sei, mas me parece que os exercícios físicos se transformaram numa forma moderna de punição. Um modelo onde só pessoas com capacidade quase masoquista conseguem tirar proveito do sofrimento, enquanto esperam o tão sonhado resultado.
Obviamente, existe um esforço necessário para sair da zona de conforto. Um movimento que precisa ser iniciado para conseguirmos dar sequência. O esforço em parceria da disciplina – capacidade de adiar a satisfação do resultado – são peças que nos ajudam a seguir.
Muitos falham frequentemente na busca de um estilo de vida mais saudável simplesmente porque estão fazendo algo que não dá o mínimo prazer. Definem suas atividades se baseando na realidade e vontade de outras pessoas. Por isso desistem logo adiante, e se perguntam como os outros conseguem.
Mas eu tenho uma boa notícia, não precisa ser assim.
Pense um pouco, por que precisamos correr 40 minutos para considerar que fez seu exercício aeróbio? Por que devemos fazer exatamente o que as outras pessoas estão fazendo para sentir que estamos no caminho certo? Por que simplesmente não fazemos algo que gostamos como forma de nos exercitar?
É muito difícil reconhecer e assumir que somos diferentes, temos outra necessidades e respondemos a incentivos de forma completamente diferentes. Temos nossas próprias vontades e formas de querer as coisas. Por que então não substituímos algumas atividades chatas por coisas que gostamos?
Para substituir algumas atividades, vamos entender um pouco como os exercícios funcionam. Quando corremos, por exemplo, o que estamos fazendo é aumentar a quantidade de vezes que nosso coração bate. Quanto maior a velocidade, mais rápido nosso coração bate, mais rápido ficamos cansados. Procuramos assim estabelecer um ritmo, mantendo o coração numa frequência que nos canse mas não nos impeça de continuar. Esse processo força nosso corpo a se adaptar ao esforço, nos tornando assim mais resistentes.
Compreendendo este conceito, qualquer atividade que siga essa mecânica terá um potencial de queima de gordura e melhora cardiovascular similar ao da corrida. Digo similar porque cada atividade tem sua particularidade, nenhuma delas é idêntica em sua execução e resultado total. 
Eu particularmente vejo muito mais prazer na vida de uma pessoa que tem gosto de acordar 5h30 da manhã pra treinar antes do dia começar, pra se superar, bater um recorde pessoal, ou qualquer outra coisa, do que na vida daquela pessoa que leva tudo na barriga (e que barriga...), que vai toda hora pra balada, pro barzinho, pra sei lá onde, sempre atrás de euforia, de diversão, disso, daquilo, quando no fundo o que faz essa pessoa estar sempre atrás de estímulos, é falta de estímulo próprio. E uma pessoa nessa condição não tem mesmo como ter vontade de fazer outras coisas que não dêem resultado imediato, ela não cultiva a sua vontade. Aquelas "tentativas de entrar na academia" realmente, são pessoas indo atrás de algum discurso senso comum que elas ouviram em algum lugar, e que raramente vai pra frente. Num primeiro momento, olhando assim, parece que a pessoa que falha é uma coitadinha injustiçada por um mundo malvado de exercícios extenuantes, e não uma pessoa que cultivou uma vida no mínimo muito pior do que poderia ser, com pequenas decisões diárias deliberadas e acumuladas pelo tempo, e que precisa sim acordar pra vida (pelo menos enquanto a nossa vida depender de um corpo. Quando botarem nossos cérebros em robôs, daí todos os argumentos de "não gosto de mover meu corpo" passarão a fazer sentido).
Confesso a vocês que não há um dia sequer no qual não dá uma vontade de ficar embaixo da coberta de manhã ao invés de ir correr. Mas também não há um dia sequer no qual não volto com um grande sorriso no rosto após mais uma espetacular corrida.
Quem faz isso sabe do imenso prazer o qual tento descrever. Quem não captou a essência, recomendo que experimente pelo menos uma vez, que vá em busca da sua. Não irá se arrepender!

>>CONCLUINDO: A filosofia é assim... resultado sem stress, sem dor. Sem ultrapassar limites, mas sim empurrando limites cada vez mais longe. E isso acaba refletindo no preparo mental também.


sexta-feira, 10 de abril de 2015

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL RESOLVE A VIOLÊNCIA?

REDUÇÃO DA MAIORIDADE PENAL  #  OPINIÃO 


Li um texto da OAB chamado "redução da maioridade penal não resolve violência". Eu não sei o que resolve, mas sei o que não resolve: passar a mão na cabeça de criminoso, independente dele ter 16 ou 18 anos.
Sou a favor da redução, apesar de saber dos problemas das instituições brasileiras que circundam a questão, como superlotação dos presídios, sistema judiciário devagar quase parando e educação péssima. São problemas sérios e urgentes, claro, mas não se pode mais tolerar que menores não respondam à lei apenas porque são menores. Um adolescente de 16 anos tem plena capacidade cognitiva para saber que puxar um gatilho ou bater uma carteira tá errado.
Além disso, há a questão dos criminosos maiores de idade que se escondem atrás de menores. Eu lembro o caso dos corinthianos presos na Bolívia: queriam culpar um menor. Quantos crimes são cometidos e assumidos por um menor apenas porque sabem que não ficarão mais de uns meses presos?
Hoje temos muitos jovens cumprindo internação sentenciada, ou seja, na fundação casa e em instituições do gênero. Sim, o número é grande e reduzir a maioridade penal apenas atolaria ainda mais as cadeias, mas o pensamento de que "cadeias estão cheias e por isso a redução da maioridade penal é inadequada agora" é uma ideia passiva demais. Acho que é um pouco do nosso comodismo, mesmo. Se não há cadeias para todos os criminosos, quer dizer que o estado falha duplamente -- por não prevenir e por não punir adequadamente. Destes dois problemas, um podemos reduzir agora, e é punindo adequadamente, sem discriminar idade.
Inclusive, a punição deveria ser revista não apenas para menores, mas para todos os casos. É piada uma legislação que permita ao preso cumprir apenas uma parte irrisória da pena. A impunidade, neste caso, gera apenas mais criminosos: mais da metade dos presos são reincidentes, isso porque o sistema penitenciário brasileiro não busca punir, mas sim reinserir (o que funciona apenas em teoria). O homem precisa ter algo a temer, e que esse algo seja a lei. Se ela for branda, a coisa se perde...
A partir do percentual de reincidentes me arrisco a ter duas linhas de raciocínio: 1) o sistema penitenciário brasileiro é falho porque não ressocializa como pressuposto, ou 2) o sistema penitenciário brasileiro é falho porque não pune adequadamente. Eu sei que é o ambiente que forma o criminosos, mas acredito que, uma vez formado, o criminoso não volta à vida "de bem". Não digo que seja impossível, apenas que é raro, e independente de qual linha de raciocínio a gente siga, tais reincidentes são prova de que o sistema deve ser corrigido, com certeza, mas até lá, continuaremos a ser brandos? inclusive com jovens que estupram e matam?
Tem gente que, pelo meio ou por necessidade ou ainda para se sentir "invencível", tira uma vida, estupra e rouba. Outro ponto: dizer que "devemos nos culpar" (assim como ouvi por aí, que "a sociedade é quem puxa o gatilho") simplesmente não significa coisa alguma. Eu adoraria (sem ironias aqui, adoraria mesmo) que alguém me explicasse como eu, parte da sociedade a que a afirmação se refere, puxou o gatilho. Honestamente, acho isso de generalizações ("a sociedade puxa o gatilho", "o homem é machista", "a classe média é alienada" etc.) uma saída fácil demais para qualquer argumento oposto, basta dizer que "o todo é assim" e pronto. Acho até mesmo um tanto ofensivo, mesmo quando você fala dos pais e tals... Cara, tem pai que ama o filho, que o educa como prescrito na cartilha dos bons costumes, mas o filho é da bandidagem -- pelo meio (que nem é somente a família), por necessidade ou "para se sentir invencível".
Eu sei que muita gente é contra a redução da maioridade penal porque têm a imagem de um menor carente. Pessoal, essa é uma imagem errada! quando falo em reduzir, me refiro aos adolescentes que trabalham pro tráfico, que estupram, que matam para roubar.


>> Ideias sociais politicamente não tão corretas sobre criminalidade:


*o sistema penitenciário brasileiro é fruto de uma cultura de vingança social que vem se desenvolvendo e abrandando ao longo dos séculos (vide "Vigiar e Punir" de Foucault). No fundo no fundo não estamos nem aí para o ser humano que cometeu um crime, queremos que ele seja castigado e jogado às traças como uma forma de vingança.
O que muitos queriam mesmo é que tacasse todos os presos, cidadãos que de certa forma não estão aptos ao bom convívio social, em uma locomotiva cheia de bombas e mandar todos pro inferno. É isso mesmo o que nossa sociedade quer, ninguém tá nem aí para ninguém, não querem entender as causas e as consequências, querem mais é pensar na situação fatídica atual e ver qual solução seria a melhor de imediato.

*Enquanto o indivíduo esta preso, ele não comete crimes. Esta é, talvez seja, de fato, a única utilidade do sistema carcerário.

*Prisão não é apenas para recuperar criminosos. Prisão também serve como castigo por um ato criminoso e para isolar o elemento perigoso, permitindo que os não criminosos tenham alguma tranquilidade.

*Castigar para reeducar é tolice. Castigar por castigar sim, porque não se deve fazer isto ou aquilo, se fizer, você está f.... A mentalidade deveria ser esta.

*A prisão deve servir para excluir da sociedade aquele elemento que deu provas de que é nocivo para a coletividade.

*"A pessoa criminosa não é uma máquina de cometer crimes". Essa frase soa bem ingênua. Se a prisão é uma "escola do crime" a impunidade também é. Mas pelo menos na prisão eles estão fora de circulação.

*Você está equivocado quando diz que só se castiga com objetivos educacionais. Prisão serve pra tirar o perigo de circulação, serve pra punir, serve pra que um indivíduo livre pense duas vezes antes de cometer um crime.

*Eu acredito que existam seres de paz, bons e respeitosos, assim como aqueles que querem a maldade. São valores subjetivos, mas existem valores que são prejudiciais à sociedade sim, e não sei como lidar com os homens que cultivam tais valores... Não existe sociedade sem crimes. O homem não está preparado para o pensamento social, só pensa no individual. Por isso que ideologias como socialismo, anarquismo, nunca funcionariam.

*Então o problema da criminalidade é educação e condição social? Maluf, Sarney e cia não estudaram e são pobres? Criminalidade não tem necessariamente  relação com condição social, porém só os pobres são condenados.

*Cadeia é lugar pra estocar pobres.



quinta-feira, 9 de abril de 2015

LEMBREM-SE: O ANO NOVO É TODO DIA

POR QUE DEIXAR PARA O PRÓXIMO ANO? ... OU MELHOR: POR QUE AINDA NÃO ESTÁ FAZENDO?


Existe uma ideia evolutiva, que paira em nossa cultura, de que hoje somos melhores que ontem e amanhã seremos melhores que hoje.
Isso leva as pessoas a se perceberem subindo uma rampa imaginária para uma condição mais sofisticada de si mesmas que o dia anterior. E, mesmo sem esforços ou trabalho pessoal extra, acreditam-se arrastadas por uma correnteza que a faz evoluir.
Essa atribuição do tempo como curador de mágoas e transformador de caráter é falha, ainda que muitos acreditem. Nesse caso, a velhice resumiria o ícone da vida plena. 
Se isso é verdadeiro, porque vemos tantas pessoas idosas mimadas, deprimidas, lamentando a vida e sem nenhuma alegria de viver?
Certamente, não é porque os filhos desaparecem ou a aposentadoria é lamentável, mas provavelmente porque não criaram uma vida com algum tipo de significado ou reuniram uma rede de pessoas queridas em sua volta.
Os que fizeram isso, estão bem acompanhados e com pelo menos algum trocado no bolso. O tempo não opera milagres, visto que é apenas a sucessão de minutos, e agora que já não estão protegidas pela jovialidade, deixam transbordar seu descontentamento de décadas com o ônus de fraqueza e doenças.
Até que ponto alguém realmente se torna mais complexo, maduro, responsável, livre e lúcido por pura inércia?
Já repararam... o fim do ano sempre anuncia que o próximo ano será melhor que o anterior. Esse é um raciocínio automático e pouco provável.
Os otimistas parecem tomar um fôlego psicológico a fim de renovar suas esperanças torcendo por uma correnteza que progride inevitavelmente.
Acho até válida a perspectiva cíclica que nos lembra que o tempo passa e estamos nos encaminhando para a morte. Essa finitude concreta, marcada pelo fim do ano poderia nos fazer arregalar os olhos para a importância de cada minuto irrecuperável.
Todo dia do ano é um convite para uma mudança que não precisa ser radical, o ano novo realmente acontece a cada ato prático, insistente e dedicado para substituir uma atitude problemática e colocar no lugar outra que gere felicidade.
A mudança nem sempre precisa ser pensada ou racionalizada, pode ser um simples dobrar de esquina na direção contrária.



quarta-feira, 8 de abril de 2015

A CONDIÇÃO RELATIVA DE SEU SOFRIMENTO

"NARCISO NÃO ESTAVA TÃO APAIXONADO POR SI MESMO QUE NÃO CONSEGUIA AMAR MAIS NINGUÉM: É O OPOSTO. ELE NUNCA AMOU NINGUÉM E ENTÃO SE APAIXONOU POR SI MESMO...

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...PORQUE NUNCA AMOU NINGUÉM, ELE SE APAIXONOU POR SI MESMO. ESSA FOI SUA PUNIÇÃO."


Muitas de nós acreditamos que se tivéssemos um carro maior, uma casa mais bonita, férias mais longas, um patrão mais compreensivo, ou um parceiro mais interessante, nossas vidas seriam muito melhores. Não há quem não pense assim.
Passamos a vida pensando que existe o "eu" e que existe essa outra coisa separada, "o tudo que não sou eu", que nos causa alternadamente dor ou prazer. Assim, evitamos tudo que nos fere ou desagrada ou causa dor; e buscamos ou toleramos ou aceitamos tudo que nos agrada ou nos envaidece ou nos causa prazer, fugindo de uns e perseguindo outros. Sem exceção, todos fazemos isso.
Ficamos apartados da vida, olhando para ela de fora para dentro, analisando, fazendo cálculos como "e o que eu ganho com isso? será que vai me trazer prazer ou conforto? será que devo fugir?" Sob nossa fachada agradável, existe muita ansiedade.
Se nosso barco cheio de esperanças, ilusões e ambições (de chegar a algum lugar, de tornar-se espiritual, de ser perfeito) vira de cabeça pra baixo, o que é esse barco vazio? O que sobra? Quem somos nós?
O objetivo de muitos ensinamentos é fazer as pessoas "se sentirem bem", validando suas emoções. Se você só está preocupado em se sentir bem, melhor fazer uma massagem relaxante ao som de uma música zen.
O objetivo aqui não é esse, pelo contrário, é dizer que precisamos expor nossas falhas, olhando-as, denunciando-as a nós mesmos e assim, por fim, ter a possibilidade de virar nossa vida de cabeça pra baixo.
São muitos os dilemas pessoais, o profundo drama existencial enfrentado por nós, tende a ser sintoma de que estamos fechados em nós mesmos. Estamos solitários centrados nos nossos próprios problemas pessoais. Talvez se observasse esses problemas sob outra perspectiva, relativizando esses nossos dilemas, entenderia o quão "não-grande" são esses nossos dramas, lembraríamos que muitos compartilham de dramas tão sofridos ou pior que os nossos,  nos dar conta desse nosso olhar egocêntrico, seria um belo passo inicial para nos desapegar do sofrimento. A própria lembrança de nossos dramas perto do grande esquema das coisas, pode justificar inclusive o próprio valor que estamos dando ao nosso sofrimento. Olhar assim nos ajudaria a relaxar e observar tudo por outra perspectiva. Isso nos facilitaria enxergar soluções e os tantos caminhos possíveis.
Portanto o exercício aqui proposto é tentar de qualquer forma abrir nossos olhos para a relatividade de nossos problemas...
Narciso não estava só: Ele tinha o seu reflexo.



terça-feira, 7 de abril de 2015

"CONHECE TE A TI MESMO"

"A VIDA NÃO EXAMINADA NÃO VALE A PENA"

Você tem a coragem de sair do piloto automático e empregar um pouco de consciência presente? Se fizer isso tenha certeza que a qualidade de muitas coisas ao seu redor de fato vão aumentar. Desencadeando uma reação em cadeia bonita de se ver ! 
Partindo do princípio Aristotélico que os comportamentos são hábitos, podemos dizer que muitos vivem habitualmente amortecidos comodamente,  em uma cadeia de gastos de energia sem paixão.
Quando se acorda sem vontade, se arruma sem vontade, sai sem vontade. Sem vontade. Esse é o samba de uma nota só, cantado todo dia pela maioria dos indivíduos da cidade.
Mesmo, muitas vezes, obrigados a esbarrar num estranho pela rua a mente se isola, o olho procura o horizonte, está longe. As pessoas são duras e é pouco o contato visual,  assim a vida vai passando num monólogo.
Este é o padrão. Mas precisamos é de outra coisa. Precisamos do Coringa! Do caos! Precisamos quebrar o padrão! 
O Coringa existe e é bastante sutil. Coisas estranhas acontecem debaixo dos nosso nariz ou do nosso amortecimento e nós não vemos.
A quebra de padrão dá uma sacudidela, é como quando um elevador enguiça e na hora que tudo se resolve todos que estavam dentro do elevador saem conversando como se fossem velhos amigos. O caos momentâneo faz esquecer a falsa impressão de que temos de nos proteger de todos.
Deveríamos instituir "O quebrador de padrões". Se a vida fosse pregada como uma liturgia anti-marasmo para manter os seres acordados, sinais e mais sinais, que antes eram sinais para engatilhar condicionamentos, poderiam ser sinais para fugir deles. Manter-se desperto seria a lei.
Que tal explodir nossos amortecimentos como Coringas... E despertar, com vontade! Vivendo mais acordada.



segunda-feira, 6 de abril de 2015

COM TRABALHO MAS SEM ESFORÇO

FAÇA TUDO SEM ESFORÇO



Uma vez ouvi um ensinamento que dizia: “Faça tudo sem esforço”. Por muito tempo eu achei que esse "sem esforço" era uma forma de dizer para ficar quase parada e esperar que tudo chegasse a mim no devido tempo.
Hoje queria compartilhar brevemente uma nova visão que me surgiu. O que vou descrever serve para qualquer atividade cotidiana, mas vou usar a natação e a corrida de média a longa distância como exemplo, pois é algo familiar pra mim.
Nadar e correr é um exercício que exige muito do corpo e da mente. Na natação avançamos na água do mar, sem contato com outras pessoas, sem ouvir, sem sentir cheiros e sem entretenimentos. Mesmo assim, cada braçada é feita sem esforço. Na corrida já percorri kms por 1, 2 e um pouco mais 3 de horas com estado mental de tranquilidade e satisfação. Se parece contraditório, explico.
Quando algo é feito sem esforço, é porque surge naturalmente, sem que tenhamos que ficar gastando energia reafirmando ou reanimando o movimento.
São necessárias várias horas e dias de treinos, nadando em piscinas, para poder participar de uma prova aquática, ou correndo pelas ruas para as provas de corrida. E esses treinos tem de ser feitos sem esforço, pois se não só seriam possíveis com muita disciplina, o que nem sempre dá certo, além de provocar uma sensação ruim de cansaço, luta.
Os treinos tanto de natação quanto de corrida devem brotar naturalmente dentro da rotina de modo que todo nosso contexto nos leva aos treinos: se alimentar bem para poder treinar, preparar o material de treino, ler artigos sobre o tema para saber das novidades. Isso ajuda a criar uma paisagem mental na qual o exercício brota como um desdobramento útil, natural.
Da mesma forma, o contexto interno também favorece o esporte, pois quando vou treinar surge energia, alegria, vontade de participar. Como a rotina está estruturada e separo um espaço para que os treinos aconteçam, na hora que estou nadando ou correndo não preciso me preocupar se esse tempo deveria ser aplicado em alguma outra atividade, o que facilita o desempenho já que não estou nem um pouco preocupada com outras coisas nesse momento. 
Isso não significa que eu não tenha preocupações usuais, como cuidar da casa, dos filhos, etc — tenho todas essas e várias outras me buzinando a mente. Porém, a prática acontece apesar delas. Dentro do contexto em que estou essas coisas serão resolvidas em seu devido tempo e não no espaço reservado para praticar.
Se os longos treinos surgem naturalmente, a prova final é feita sem esforço. Cada braçada ou passada traz a certeza de que aquela é a hora H de aproveitar todo preparo realizado, é a boa! 
Eu sempre me surpreendo ao ver que algo que descobrimos no ritmo ou no silêncio ou em uma relação também acontece igualzinho na natação e na corrida, por exemplo.
Descobri que quando a motivação é superficial, sinto  o desgaste no final e não consigo que algo siga a longo prazo. Quando a motivação para a prática vem de um sentido mais amplo, vem de um sentimento mais interno, sinto que mesmo o corpo cansado, ainda tenho muito animo, energia.
Percebo isso em muitos atletas, quando seguem por esforço devido a uma motivação superficial, cheio de ego. O efeito colateral não é legal, alguns desistem e passam a ter aversão a práticas físicas, se lesionam muito, etc. E isso é muito curioso, pois dedicaram a vida para a atividade física, e depois não conseguem manter com toda essa dedicação um mínimo de boa saúde para o corpo.
Sinto, que quando seguimos por esforço, seguimos mais tensos também, esse esforço gera mais tensão e isso gera um maior desgaste. Quando conseguimos relaxar, conseguimos fazer tudo acontecer com mais fluidez e isso torna tudo muito mais feliz e integrado. As coisas acontecem com trabalho mas sem esforço!