segunda-feira, 27 de julho de 2015

EQUILÍBRIO, LIBERDADE # CORPO LEVE

EIXO CORPO-MENTE



Equilíbrio. Palavra definida como estado dos corpos que atuam em forças iguais e contrárias. Sentido figurado de harmonia. 
Harmonia, mais do que uma palavra solta é o resultado da plena união e relação das realidades que constituem a nossa verdade.
Para quem vive em nossos dias neste país, equilíbrio e harmonia podem não ser palavras tão familiares. Trânsito, poluição, violência. 
Simplesmente sobreviver, nesse contexto, provoca cansaço físico e psicológico. Para alguns, a válvula de escape é brigar, dançar ou gritar, se deprimir, adoecer...
Não pra mim.
Prefiro calçar aquele velho par de tênis batido. E correr. Pela manhã ou pela noite, não importa. Faz bem sentir o coração palpitar, o sangue correr pelas veias, e o que considero o mais importante, limpar a mente. Mas limpar a mente com um bom som. Pois se há um momento da vida que necessita de uma playlist perfeita, é durante a solidão dos passos rápidos desde a partida até a chegada nos meus treininhos de corrida pelas ruas.  
Faço desse hobby a minha rotina.
O ponto positivo das corridas de rua é o lance social. Durante os treinos ou numa prova você conhece pessoas, faz amizades, encontra um e outro. E para quem não é profissional, isso motiva. Mais do que o pódio ou tentar bater a sua meta de tempo, o clima amistoso de uma corrida, das tendas, da conversa entre corredores já vale. No mundo das corridas de rua o companheirismo impera. Qualquer pessoa que calça um tênis para correr entende as dificuldades do companheiro, já que são similares às suas próprias dificuldades.
O desafio não é vencer um oponente, mas obrigar as pernas a continuar. Afinal, a mente e no meu caso  também a boa música comandam o corpo. 
Compartilho desse sentimento de equilíbrio, liberdade e sensação de corpo leve depois de acelerar o coração e encher meu tanque de combustível de ânimo. 
É importante dizer que qualquer atividade de sua escolha terá esse mesmo efeito. Elegi a corrida nesse texto mas também pedalo e nado para diversificar. Todas as atividades que nos propomos a fazer dá no mesmo, na mesma sensação de leveza.
Ter o objetivo de adquirir esse hábito em nossa rotina não representa apenas um objetivo importante; me arrisco a dizer que isto é um meio para a realização de todos os outros objetivos na vida.
É uma questão de começar
Comece!

sábado, 25 de julho de 2015

PADRÃO DE VIDA ≠ QUALIDADE DE VIDA

A GROSSO MODO, O PADRÃO DE VIDA NOS DIZ O QUE POSSUÍMOS NA VIDA, E A QUALIDADE DE VIDA NOS DIZ COMO VOCÊ SE SENTE NA VIDA.

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O que é alta qualidade de vida? 
É segurança contra fome e privações? Não. Mas a sensação de segurança contra fome e privações deve contar. É boa saúde? Não. Mas a sensação de estar bem de saúde deve contar. É estar frequentemente junto a bons amigos? Não. Mas a sensação de estar frequentemente junto a bons amigos deve contar. É ter dinheiro o bastante e uma boa renda? Não. Mas a sensação de ter dinheiro o bastante e uma boa renda deve contar. É ter acesso a arte? Não. Mas o prazer e uma apreciação positiva daquilo que se considera arte deve contar. É ter acesso a uma educação superior? Não. Mas a ausência de frustração e mágoa por não ter acesso a uma educação superior deve contar. Fadiga extrema? Não necessariamente. Se a vitória em algum esporte parece estar próxima, a fadiga extrema pode estar lá, mas não será sentida.
Duas pessoas podem estar exatamente em uma mesma situação lamentável, mas a qualidade de vida de ambas pode ser impressionantemente diferente.
O termo “qualidade de vida” está na moda, mas o conceito deve definir o mais consistentemente possível como alguém se sente, em vez de o que alguém tem ou o que alguém deve sentir, ou qual tipo de sentimentos podem ou devem ser esperados, e por aí vai.
De qualquer forma, é importante clarificar esse conceito  já que ainda não sabemos direito como aumentar a qualidade de vida (sabemos mexer no padrão de vida, e às vezes até chamamos isso de qualidade de vida).
Não sabemos o que nos faz verdadeiramente feliz, por que sofremos, quais dinâmicas profundas nos aprisionam e quais nos libertam para uma vida mais alegre, potente, com propósito e satisfação.
Eu suponho que exista um desejo sério nos países de criar condições gerais favoráveis à alta qualidade de vida. Portanto, há necessidade de saber o mais claramente possível o que causa um aumento na qualidade de vida, e não apenas no mero padrão de vida e progresso econômico. 
A qualidade de vida é mais importante para as suas vidas, e especialmente as dos seus filhos, do que mero alto padrão material. Uma das coisas que precisa ser feita é informar ao público que o diálogo sobre qualidade de vida não é mero bate-papo entre românticos e idealistas, mas sim assunto de pesquisas sérias.   
Eu não conheço pesquisas sobre isso sendo feitas atualmente, e se não nos interessarmos sobre esse assunto fica difícil agir e até cobrar ações que viabilizem a tão propagada e sonhada qualidade de vida. 
 

sexta-feira, 24 de julho de 2015

SOMOS UMA MENTE E UM CORPO

O USO DE "CÉREBRO" EM VEZ DE "MENTE".


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Usamos o termo "cérebro" e "mente" normalmente com o mesmo sentido. Somos bombardeados por informações sobre o uso do cérebro que estimula esse engano.
Se o cérebro é esmagado, claro, morremos. Mas isso não significa que nossa mente é o cérebro. No cérebro não encontramos absolutamente nada do que experimentamos em primeira pessoa, nada do que constitui 100% do nosso mundo: cores, sons, significados, emoções, pessoas...
Por exemplo, se uma caixa de som está tocando uma música e alguém senta o martelo nela, a música cessa. Mas não faz sentido algum dizer que a música é a caixa de som. São fenômenos correlatos. 
A mente não é o cérebro; assim como a espada não é seu corte; ou que uma mão não é um soco. Ainda não sabemos como se dá a relação entre mente e cérebro nem entre matéria e consciência, o que constitui, a principal pergunta hoje nas ciências cognitivas.
Pensando no consumo exagerado de informações que me referi no texto anterior http://aautoimagem.blogspot.com.br/2015/07/tsunami-de-informacoes.html,  falando desse excesso de informação e de inteligência, se temos uma teoria da mente enganada vamos descrever os problemas de modo enganado e propor soluções enganosas. E isso ainda não nos diz nada porque sequer temos a sensação de ter um cérebro, entende? Se a gente não tem isso em primeira pessoa, qualquer texto que fale em cérebro está falando de algo abstrato, fora de nossa experiência imediata em primeira pessoa, que é a de ser uma mente e um corpo.
Num contexto científico, isso é ótimo.  Mas nesse contexto para mim é um problema porque o foco é na mente. É a mente que enfrenta esse problema descrito no texto.
Se pensamos em "consumo de informação", isso não exatamente corresponde ao modo como construímos cada fenômeno, como a percepção se dá. Métodos em primeira pessoa para ganharmos clareza sobre como a mente funciona, um estudo rigoroso disso e uma teoria da mente mais precisa, isso sim talvez nos ajude!



quinta-feira, 23 de julho de 2015

TSUNAMI DE INFORMAÇÕES

MENOS É MAIS!


"Para mim, o cérebro humano, em sua origem, é como um sótão vazio que você pode encher com os móveis que quiser. 
Um tolo
vai entulhá-lo com todo tipo de coisa que for encontrando pelo caminho, de tal
forma que o conhecimento que poderia ser-lhe útil ficará soterrado ou, na
melhor das hipóteses, tão misturado a outras coisas que não conseguirá
encontrá-lo quando necessitar dele.
O especialista,
ao contrário, é muito cuidadoso com aquilo que coloca em seu sótão cerebral. Guardará apenas as
ferramentas de que necessita para seu trabalho, mas dessas terá um grande
sortimento mantido na mais perfeita ordem.
É um engano pensar que o quartinho tem paredes elásticas que podem ser estendidas à vontade. Chega a hora em que, a cada acréscimo de conhecimento, você esquece algo que já sabia.
É da maior importância, portanto, evitar que informações inúteis ocupem o
lugar daquelas que têm utilidade."
*Do livro Um estudo em vermelho

E, afinal, o que é uma notícia “importante”? Pra que serve um jornal? A Folha ostenta lá no topo que está “a serviço do Brasil”. De que forma, exatamente? Volto à pergunta que Caetano Veloso fez há décadas, ao ver bancas repletas: “Quem lê tanta notícia?” E pra quê?
É difícil achar uma resposta fácil. Um jornal, justamente porque precisa agradar todo tipo de consumidor, cobre quase todos os assuntos, ao menos superficialmente. Então, o que a princípio é importante para mim, não é para você. Acho que podemos concordar também que há coisas que certamente não são “importantes” para qualquer pessoa, mas que rendem cliques, que é o que fazem os sites pagarem a conta com publicidade. Sem saber o que é “útil”, o que desperta interesse legítimo ou que simplesmente entretém a pessoa, o jornalão vai lá e metralha toda a munição que tem. Estamos acostumados a isso, mas há muita, muita coisa errada neste processo, fundamentalmente.
Por séculos a nossa sociedade endeusou a “informação” como um fim em si. Para mostrar seriedade, os políticos afirmam que leem três jornais assim que acordam – mesmo que a redundância represente tempo desperdiçado; nos vangloriamos de bibliotecas particulares repletas, mesmo que não tenhamos lido metade do que está na estante e continuamos comprando coisas novas; guardamos páginas nos favoritos para ler depois e nunca voltamos a elas.
Os canais de notícia garantem que nos deixarão “bem informados sobre tudo” e buscamos isso, ainda que, no fim do dia, não fique claro que diferença fez saber os resultados do campeonato francês ou os detalhes de uma nova enchente no Sudeste asiático.
Dá para dizer que você fica pior ao saber dessas coisas inúteis? 
Pensar melhor sobre o que consumimos de informação é, em última instância cuidar da nossa saúde física e mental. Temos mais o que fazer com nosso tempo e nossa massa cinzenta.
Ser inteligente hoje poderia então ser definido como ser seletivamente ignorante.
Mas por que é tão difícil? Por que damos tanta atenção a coisas que não temos qual poder ou influência? Não falo apenas de notícias de futebol, mas falo de coisas ditas relevantes mesmo. Ainda que você saiba tudo sobre o papel da Rússia na Criméia, o que fazer com toda essa informação? Será que entender os detalhes da prestação de contas do seu condomínio – que não sai em nenhum site de notícias – não seria mais importante?
O ideal, então, seria ter uma dieta de consumo de informação um pouco menos voltada para o entretenimento e socialização, e mais para o crescimento pessoal e da nossa comunidade. E, certamente, em menos quantidades. 
Mas será que chegamos nisso pensando e conversando com essa linguagem que fala em "dieta de consumo de informação"?
Ou para chegar nisso (algo realmente ideal!) talvez seja melhor entender que não existe informação lá fora para ser "consumida", que o que acontece em nossa mente é algo mais complexo e que podemos nos apropriar disso, retomar a atenção que deixamos na mão de publicidade, de impulsos, de entretenimentos... Se não consumimos informação, se a todo momento criamos mundos de sentido, como fazer isso de modo mais consciente?
“Ah, Rosane, mas esses portais tão cheios de porcaria!”, poderá dizer alguém, jogando a culpa na mídia – este que é o segundo maior esporte nacional.
Mas se a mídia em geral ataca nossos sentidos primários e tenta nos entupir de informação, somos cúmplices dando audiência. Sim, como público, nós não somos vítimas, somos cúmplices. Porque, e isso é importantíssimo deixar claro, nós temos o controle. 
Dá pra remar contra o Tsunami!

quarta-feira, 22 de julho de 2015

A CULTURA DA TOLERÂNCIA

"DESODIAR"


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O termo "desodiar" não existe no nosso dicionário. E por tal omissão da língua, relegamos o ódio ao estado sólido, ao concreto, ao que não pode ser desfeito. O amor pode acabar (desamor); mas o ódio soa eterno.
A proposta é dissolver a tal eternidade do ódio (deixar de odiar", "desodiar").
Em prol da cultura da tolerância vou tentar clarear um pouco sobre os mecanismos que movem  nossas intolerâncias, isso pode ajudar a gente a desodiar.
Funciona mais ou menos assim: quanto mais sou forçado a aceitar o outro como igual a mim, tanto mais, num âmago que mal reprimo, eu o odeio e quero acabar com ele. Mas por que eu preferiria que o outro se mantivesse diferente de mim? Por que não quero reconhecê-lo como igual? A intolerância é mais que um preconceito, é uma reação emocional à presença do intolerável, num leque que vai do desconforto à ansiedade, ao medo e, por fim, à raiva e à agressão.
Do ponto de vista da psicanálise: Quando as nossas reações são excessivas, deslocadas e difíceis de serem justificadas é porque emanam de um conflito interno.
De forma simples, o que acontece é: Estou com dificuldades de identificar a causa da minha própria intolerância, então acho mais fácil tentar reprimir o outro, ou seja, condená-lo, persegui-lo e reprimi-lo, se possível até fisicamente, porque isso me ajuda a dar vazão a esse meu conflito interno mal resolvido.
Estou aqui propagando a cultura da tolerância, mas a tolerância é para os fortes. Para se tornar uma pessoa tolerante, é preciso rever alguns conceitos que são cultivados no interior da alma. Ou seja, é necessário admitir-se culpado. E ninguém gosta disso, infelizmente. Mas felizmente, fica aqui o meu convite a essa reflexão. 


terça-feira, 21 de julho de 2015

COMO TIRAR O MUNDO DE VOCÊ

...OLHAR SUA VIDA INTEIRA DE LONGE, MUITO LONGE, SUSPENDER POR UM MOMENTO SUA CRENÇAS, IDENTIDADES, HÁBITOS, VISÕES, EMOÇÕES, RELAÇÕES, TUDO O QUE CONSTITUI SUA REALIDADE.


Se apenas vamos ao pico de uma montanha, mesmo que sozinhos, levamos nós mesmos, nossas lembranças, identidades, tudo. Em vez de sair do mundo, apenas nos sentimos um outro alguém (um esportista, um desbravador, que seja). Não saímos de nós mesmos.
Para sair de verdade, o que funciona para mim é encontrar alguém sábio, que investigou com disciplina por um longo tempo as dinâmicas mais profundas da realidade, que sabe acessar uma posição tão elevada como a de Deus, se não seus próprios ensinamentos, que viveria acima das nuvens, olhando tudo e todos.
Com ele, não consigo vender meu peixe igual sempre faço quando conheço alguém ("Oi, eu sou assim, eu vejo a vida assim, o mundo é assim, la la la...").
Diante desse ser só me resta ouvir. Por dias. E como nada do que ouvirei será sobre o meu mundo (talvez só sobre o quanto meu mundo é pequeno e limitado e dispensável), enquanto estiver na posição de ouvinte, como aluno dedicado sem ficar alimentando comentários internos, estarei fora do meu mundo, respirando e olhando tudo também de cima das nuvens, mesmo que por apenas alguns tempo.
Do jeito que vejo, essa dinâmica não precisa de religião ou misticismo para existir. Ela pode tomar diversas formas.
Diria que, como SAIR DO MUNDO é mais um COMO TIRAR O MUNDO DE VOCÊ,  é muito difícil e exige disciplina. É ver o mundo sem ser o Espectador ou o Ator, apenas observando e compreendendo.
Procurar olhar sua vida inteira de longe, muito longe, ter um respiro no qual você suspende suas crenças, identidades, hábitos, visões, emoções, relações, tudo o que constitui sua realidade.
Quando ouço verdadeiramente uma pessoa ou quando me ponho a apreender algo, tenho essa sensação de me anular e sair de mim, como se eu fosse um copo vazio, para ser capaz de absorver esse outro mundo ou olhar (uma escuta psicológica requer essa posição do terapeuta). Quando me interesso de verdade pelo mundo do outro me esforço para ser capaz de me distanciar de mim mesma, de ver o mesmo horizonte a partir de outros olhos e de aprender coisas que somente minha mente viciada não é capaz de me ensinar. 
É estranho sair do mundo, como no clipe do matrix, quando você menos esperar, terá aquela sensação de estar em um universo paralelo, mas ao pensar em refletir certamente você voltará ao caos do dia a dia novamente, ouvindo alguma buzina ou um celular.  É um exercício de Off/On  interessante.


segunda-feira, 20 de julho de 2015

A QUESTÃO DO DINHEIRO

QUAL O VERDADEIRO VALOR DO DINHEIRO?

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Por mais contra-intuitivo que possa parecer, dinheiro não é exatamente nossa moeda corrente. Estamos o tempo todo negociando tempo. Nosso salário é o que recebemos por vender nosso tempo para uma empresa. Quando contratamos um serviço, estamos pagando o tempo de outra pessoa, para poupar o nosso. Quando escolho um táxi ao invés do ônibus, pago mais caro para chegar mais rápido. Existem, obviamente, outros fatores no meio dessas relações mas, no geral, estamos apenas trocando dinheiro por tempo, seja nosso ou dos outros.
Não estou dizendo que dinheiro não tem importância, mas a máxima abaixo é verdadeira:
Mais dinheiro nem sempre significa mais felicidade.
Todo mundo já se deparou com um possível valor salarial e pensou “se eu ganhasse tudo isso seria tão bom, resolveria todos os meus problemas”. Mas quando passou a receber tal quantia, não foi bem o que aconteceu. 
De forma ampla, existe um ponto salarial em que ainda sentimos essa diferença, que ganhar mais significa ter mais dignidade e acesso aos meios e ferramentas que facilitam e melhoram a vida. Depois desse ponto específico, essa relação não cresce como antes. 
O aumento do salário não trará uma sensação maior de felicidade. 
Este é o momento em que razões mudam e ter mais tempo passa a significar mais qualidade de vida.
É preciso certo sangue frio para encarar a situação e pensar com clareza, entender se é mesmo mais dinheiro que precisamos naquele momento. Pode parecer estranho, mas trocar o aumento tão esperado por uma hora a menos de trabalho, poder entrar mais tarde ou sair mais cedo, talvez traga mais satisfação do que uma razoável quantia de dinheiro.
Com uma hora extra você pode dormir melhor, acordar de bom humor e se arrumar com mais calma. Só essa calma que o horário mais estendido adiciona já é refletida diretamente no resto do dia. Dá pra fazer academia, pegar menos trânsito, cortar o cabelo, se maquiar com calma, aprender um idioma novo, brincar com o filho e pegar um pouco de sol caminhando no parque, sei lá.
Mas como virar a mesa?
Nossa relação com o dinheiro e sua importância está tão enraizada em nossa cultura que acaba atrapalhando nossa percepção do que realmente estamos buscando. No meio do furacão, deixamos de lado nossa racionalidade, nos afundamos no trabalho para ganhar cada vez mais. Queremos uma casa maior, um carro melhor, um smartphone mais novo. Trocamos todo nosso tempo por coisas que custam muito mais caro do que apenas o dinheiro que pagamos nelas.
Falo aqui exclusivamente da nossa relação trabalhar mais como forma de ganhar mais dinheiro, e da possibilidade de trocar um possível aumento por uma hora a menos de trabalho por dia, mas não precisamos nos limitar a isso. Podemos sempre olhar a nossa volta e pensar em como fazer esse cambio entre dinheiro e bem estar.
Quando apontamos nossa mira para o dinheiro, todo o resto se torna um meio de ganhar cada vez mais, num ciclo infinito. Se mudarmos o foco para o bem estar, dinheiro passa a ser apenas uma peça que nos facilita até determinado ponto, não fazendo mais muito sentido sacrificar coisas tão mais valiosas apenas para faturar um pouco mais.
Sei perfeitamente que a percepção do que é importante pra gente vai mudando com o avançar da idade, à medida que descobrimos quais são as coisas que nos fazem mais felizes. 
É muito difícil, quando se é jovem, entender que o dinheiro não é mais importante que o tempo que se perde pra ganhá-lo. E talvez  realmente não adianta chegar pra alguém de 20 e poucos anos e falar isso, porque para aquele jovem o que importa naquele momento é diferente do que importa pra alguém que passou dos 40, por exemplo, mas é o que a pessoa sente naquele momento da vida dela.  Com o passar dos anos vai observar pessoas que se afundaram nessa busca desenfreada por dinheiro e tiveram a saúde destruída pelo estresse. E se conscientizará que é preciso estabelecer um equilíbrio racional para cruzar a linha da saúde e do bem estar geral.
Pra quem não tem essa consciência, a sensação de que o dinheiro nunca é suficiente parece ser cada vez mais presente sempre. 
Quer ver? Converse com pessoas que ganham muito bem e pessoas que ganham pouco e pergunte como está o dinheiro, ambos dirão que está faltando e que seria bom ter mais. A óbvia diferença é que quem ganha mais possui mais coisas, mas no geral, não significa que vive mais feliz.
Ando evitando adiar experiências também, sabe como é, nunca sabemos quando nossa vez de deixar esse mundo vai chegar.
E você? Quais formas pode utilizar para sair da urgência de ter cada vez mais dinheiro e começar a viver com mais leveza?
Vale muito a pena!